12/02/2007

EUA manipulam provas para justificar Guerra com Irão


De acordo com o jornal britânico Independent, os EUA estão mais próximos de iniciar uma guerra com o Irão, utilizando um pretexto análogo àquele que serviu de «desculpa» para a invasão do Iraque. Vários oficiais americanos, que preferem manter o anonimato, acusam o regime iraniano de fornecer novos e perigosos engenhos explosivos a milícias xiitas no Iraque, que terão vitimado militares americanos. Para o jornalista Patrick Cockburn tratam-se de «alegações bizarras», dado que afinal as novas armas já eram usadas há pelo menos 80 anos, e porque os principais focos da resistência armada iraquiana pertencem a grupos sunitas, conhecidos pela sua hostilidade ao Irão.
Os oficiais americanos sustentam que os novos engenhos explosivos responsáveis pela morte de 170 soldados americanos e por 620 feridos são fabricados no Irão, pelas Brigadas de Al Quds, que respondem directamente perante o supremo líder iraniano, o Ayatollah Ali Khamenei. Estas armas são supostamente capazes de destruir alguns tanques americanos.
No entanto, estas alegações são no mínimo estranhas. Isto porque, desde a ocupação do Iraque, em 2003, os EUA têm enfrentado militarmente combatentes sunitas (que estavam no poder na altura de Saddam), completamente hostis ao Governo Iraniano, e que têm repetidamente denunciado o governo iraquiano como sendo um fantoche do regime de Teerão.
Ora, a denúncia de que o governo iraniano estaria a apoiar milícias xiitas contra os americanos, dá a entender que os EUA têm estado em guerra com milícias xiitas, quando na verdade a quase totalidade dos combates deram-se com unidades sunitas provenientes de elites militares altamente treinadas no regime de Saddam Hussein. Os grupos xiita, pelo contrário, encontram-se relativamente controlados pelos partidos que fazem parte do governo iraquiano.
Os oficias americanos encontraram um novo nome para as armas que dizem serem enviadas pelo regime iraniano: explosive formed penetrators (EFP)s. Contudo, uma análise das armas que têm sido utilizadas pelos grupos iraquianos hostis à ocupação americana revela que são na quase totalidade engenhos originários do regime anterior, similares a engenhos utilizados por todos os exércitos durante a segunda guerra mundial e igualmente presentes na guerra da independência da Irlanda (1919-1921). Este novo e pomposo nome tem como objectivo dar a ideia que foi desenvolvida uma nova arma ameaçadora que, na verdade já existe há pelo menos 80 anos.
Recorde-se que há quatro anos Bush e Blair argumentavam que os iraquianos estavam tecnicamente muito avançados para produzir mísseis de longo alcance e engenhos nucleares. Curiosamente, os americanos vêm agora dizer que o Iraque não tem capacidade para construir pequenos engenhos explosivos e que estaria a procurar ajuda do lado do regime de Teerão. Esta é a primeira vez que o Irão é acusado de ser responsável pela morte de militares americanos no Iraque.
Estas alegações, que podem ser um pretexto forte para justificar o início de uma guerra com o Irão, são ainda mais escandalosas do que aquelas que serviram de motivo para a ocupação do Iraque: o fabrico de armas de destruição maciça que nunca forma encontradas.

1 comentário:

apedroribeiro disse...

Abaixo o imperialismo e o capitalismo de guerra!