14/02/2007

Iraque: mulheres condenadas à morte por acções de resistência


Pela primeira vez desde o início da ocupação do Iraque, três mulheres foram condenadas à morte pelo Tribunal Central Criminal por actividades de resistência à ocupação. As três mulheres são: Wassan Talib de 31 anos, e Zeynab Fadhil e Liqa Qamar, ambas de 25 anos. A data de execução está marcada para 3 de Março. Duas destas mulheres cuidam de filhos pequenos na prisão, um dos quais já nasceu depois de ter sido presa. A Amnistia Internacional fez um apelo de acção urgente.
Wassan Talib foi condenada pelo assassinato de cinco membros das forças de segurança iraquianas em 2005, durante um ataque contra um centro de segurança no bairro de Hayat al-Furat em Bagdad. Por seu lado, Zeynab Fadil foi acusada e condenada por atacar, junto com o marido e o primo, uma patrulha conjunta da Guarda Nacional e de tropas americanas. Ambas negam as acusações e Zeynab Fadil afirma mesmo que nem sequer estava em Bagdad quando ocorreu o ataque.

Liqa Qamar foi condenada pela acusação de ter participado no sequestro e posterior assassinato de um detentor de um alto cargo na "Zona Verde". Na acção teria participado o marido, preso pela mesma acusação.

Finalmente, uma quarta mulher Samar Sa'ad ‘Abdullah, também de 25 anos, foi condenada pelo assassinato do tio, da sua mulher e três filhos no bairro de al-Khudra em Bagdad. Ela acusou do crime o namorado, que teria tido o objectivo de roubar as vítimas. O namorado foi alegadamente preso, mas a Amnistia Internacional não conhece que acusações lhe foram feitas.

Tanto Zeynab Fadhil quanto Liqa Qamar têm junto a elas filhas. A primeira, uma filha de três anos; a segunda, uma menina de um ano, nascida já na prisão do bairro de Kadimiya, em Bagdad.

Walid Hayali, advogado e membro do Sindicato de Advogados Iraquianos, disse que o TCC impediu que as mulheres acusadas tivessem assistência de advogados, por se tratar de crimes de segurança.

A pena de morte foi reinstaurada no Iraque em 2004, pelo governo interino. As três primeiras execuções foram feitas no dia 1 de Setembro de 2005 e, durante 2006, pelo menos 65 pessoas foram executadas, incluindo Saddam Hussein.

No dia 6 de Abril, Mohamad Jorshid, representante de rede de ONG de Direitos Humanos, declarou ao diário Asharq al-Awasat que 2.000 mulheres iraquianas permaneciam detidas "por motivos de segurança" em prisões sob o controlo do governo iraquiano e das forças de ocupação.

A Amnistia Internacional fez um apelo de acção urgente, lembrando que o presidente iraquiano tem o poder de conceder perdão ou de comutar a pena para prisão perpétua.

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