16/02/2007

Luz do Sameiro - Viúvas dos pescadores recebem primeiras indemnizações



Cerca de 50 mil euros, correspondentes aos seguros de acidentes pessoais, foram hoje entregues às viúvas dos quatro pescadores que morreram na sequência do naufrágio do Luz do Sameiro, no final de Dezembro


A companhia adiantou ainda vinte por cento daquele montante a cada uma das viúvas de outros dois pescadores, João Cartucho e José Maciel, que também estavam a bordo do Luz do Sameiro e cujos corpos continuam desaparecidos. O restante dinheiro será entregue logo que as famílias apresentam uma declaração de morte presumida, emitida por um tribunal.

O naufrágio deu-se a cerca de 20 metros da praia da Nazaré e só um dos sete tripulantes do barco, um ucraniano, é que foi salvo, facto que pôs em causa a estrutura nacional de socorro disponível para emergências deste tipo.

O acidente vitimou seis pescadores das Caxinas, em Vila do Conde, e deixou em sérias dificuldades as respectivas famílias, às quais a seguradora decidiu entregar também já o dinheiro correspondente aos subsídios de funeral e de morte, num total de cerca de 7.700 euros por vítima, «para suprir algumas dificuldades naturais».

«Fazemos já estes adiantamentos porque há preocupações sociais que se sobrepõem às questões técnicas», disse hoje à Lusa o director de Sinistros NãoVida da Axa, Fernando Marques, justificando assim a decisão de antecipar estes pagamentos apesar de haver alguns obstáculos legais.

No caso dos pescadores ainda desaparecidos, por exemplo, a declaração legal do óbito só pode ser feita por um tribunal mas num prazo que pode ir até um máximo de dez anos ou cinco, se a vítima tiver completado 80 anos.

Essa barreira legal pode ser ultrapassada com uma declaração de morte presumida emitida por um tribunal, o que possibilitaria às famílias receber a totalidade do seguro de acidentes pessoais. O presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, Mário Almeida, acredita que «o documento será conseguido sem grandes dificuldades».

As viúvas daqueles pescadores, cuja única fonte de subsistência era, até à data do acidente, o salário dos maridos, têm ainda direito a uma pensão que será fixada mais tarde com base no seguro de acidentes de trabalho.

O presidente da Junta de Freguesia das Caxinas, José Postiga, reafirmou hoje que «o naufrágio atingiu famílias muito carenciadas, que vivem muitos problemas».

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