15/03/2007

ENCERRAR NÃO É SOLUÇÃO


A proposta de Correia de Campos prevê o encerramento de quinze urgências hospitalares, sem criar qualquer alternativa. Outras quinze ficam sem valências médico-cirúrgicas, reduzidas a urgências básicas.
As principais alterações, sobretudo o fecho de urgências hospitalares, verificam-se em zonas do interior e nalgumas áreas urbanas de média dimensão. Não existe, no plano do Governo, nenhuma medida para melhorar o funcionamento dos serviços de urgência das grandes cidades.
Em Lisboa, cujos serviços de urgência estão super-lotados, a única proposta do governo é... fechar a urgência do Curry Cabral, que atende uma média de 300 pessoas por dia!
No Hospital do Montijo, quase 150 pessoas procuram diariamente a urgência, além das cerca de 250 que recorrem aos SAPs do concelho. Esta é uma das urgências que o ministro pretende fechar e já se sabe que os SAPs irão ter o mesmo destino.
É preocupante o anunciado encerramento de seis urgências hospitalares no litoral da região centro, entre Aveiro e Santa Maria da Feira, região onde todos os SAPs estão a ser fechados, com a transferência em massa destes utentes para o já “entupido” hospital da Feira.
Em Vila do Conde, Mário de Almeida já não tem o poder de outros tempos...veja-se que Santo Tirso, Fafe e Espinho, para falar de tres bastiões socialistas conseguiram bater o pé a Socrates...em Vila do Conde ficou-se por uma ambulancia que deverá vir lá para as calengas gregas. Já agora será e coloco a questão no será, que a urgencia da povoa tem capacidade para receber tanta gente?

O ataque é contra a gratuitidade dos cuidados de saúde, como se o SNS não fosse já suportado pelos impostos dos portugueses. Daí vem a insistência em preços diferentes conforme a capacidade económica dos doentes.
Como se essa diferença não estivesse já contemplada - e aí deve ser assegurada - na diferente contribuição fiscal de cada um.
A introdução no SNS de duas categorias de utentes, os ricos e os pobres, arrastaria para o interior dos serviços de saúde as desigualdades profundas que marcam a nossa sociedade.
É isto que nos espera no final do caminho que Sócrates e Correia de Campos querem percorrer. Basta ver as etapas já cumpridas: fecho de maternidades, urgências e SAPs, aumento dos medicamentos e novas taxas moderadoras.

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