15/04/2007

PCP CRITICA GOVERNO E PRESIDENTE


PCP critica silêncio do Presidente e Governo sobre manifestação de extrema-direita

O secretário-geral do PCP criticou hoje o silêncio do Governo liderado por José Sócrates e do Presidente da República, Cavaco Silva, sobre a manifestação da extrema-direita, no próximo sábado, em Lisboa, considerando ser "uma provocação ao 25 de Abril e aos democratas".
"O silêncio perante esta iniciativa fascista demonstra, no mínimo, um carácter permissivo inaceitável à luz do regime democrático", afirmou Jerónimo de Sousa, num almoço-convívio do partido na Escola Agrícola da Paiã, Odivelas.

O "Governo está obrigado a respeitar a Constituição, para já não falar do Presidente da República, que jurou respeitar e defender a Constituição", disse também o secretário-geral dos comunistas. Segundo o número quatro do artigo 46.º da Constituição, "não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista".

Foi convocada para 21 de Abril, a quatro dias do 33º aniversário do 25 de Abril de 1974, um encontro de organizações de extrema-direita da Europa, o qual está a ser organizado pela Juventude Nacionalista, que pertence ao Partido Nacional Renovador (PNR).

Para o líder do PCP, a organização desta "reunião mais ou menos secreta" em Lisboa "é uma provocação ao 25 de Abril, aos democratas e ao povo português".

Jerónimo de Sousa ataca Governo pelas "políticas injustas". No seu discurso aos militantes do partido, reunidos no refeitório da escola, Jerónimo de Sousa atacou o Governo pelas suas "políticas injustas" e "de direita", voltando a criticar o Presidente da República pelo seu Roteiro pela Inclusão.

Porém, para Jerónimo de Sousa, a solução não é a "ideia peregrina" de Cavaco de um Roteiro para a Inclusão, mas sim uma alteração de políticas, tendo convidado os portugueses "a apontarem o dedo ao Governo e ao Presidente da República"."Podem chorar as lágrimas que quiserem que, em relação à pobreza e ao combate à exclusão, nada se resolverá sem políticas económicas e sociais justas", afirmou o secretário-geral do PCP.

Ontem, o dia em que se realizou uma conferência sobre o primeiro ano do Roteiro para a Inclusão, organizada pela Presidência da República, Jerónimo de Sousa tinha afirmando que "é uma iniciativa bem intencionada, mas que não resolve nada".

Sem comentários: