24/05/2007

CLUBES CALOTEIROS


O sindicato dos Jogadores veio hoje a terreiro denunciar aqueles clubes que ainda não pagaram aos seus atletas; curiosamente ou não o Clube mais representativo da Póvoa de Varzim está no rol dos caloteiros; quais são as desculpas Sr. Lopes de Castro? Não se fez o negocio do estádio?

UMA VERGONHA
I. Nota Prévia
1. No início da época desportiva, o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) contactou, por escrito, todos os Clubes/SAD da Bwin Liga e da Liga Vitalis no sentido de uma análise conjunta dos problemas que afectam o futebol.
Ora, o mais importante desses problemas é o do incumprimento salarial o qual, atento o balanço da época anterior, mereceu e merece resposta inadiável. O resultado desses contactos traduziu-se, na prática, na resposta afirmativa de meia dúzia de clubes, traduzidas em reuniões para o efeito realizadas e nada mais.
Neste contexto, o SJPF cumprindo o que prometeu, ao contrário de outros com responsabilidades específicas que tendo prometido muito nada fizeram, vem apresentar dados referentes ao assunto, em jeito de balanço da época que agora terminou.
Impõe-se, no entanto, esclarecer que o SJPF, ao denunciar esta anomalia, procura, sobretudo, conjugar esforços tendentes à erradicação dos males de que enferma o futebol português pois só assim estará a prosseguir os objectivos que lhe estão consignados, ou seja, a dignificação, em várias vertentes, do jogador profissional de futebol.
Ora, o salário, elemento intrínseco da definição de contrato de trabalho, surge como contrapartida da prestação do trabalho assumindo o carácter de meio de satisfação de necessidades pessoais e familiares do trabalhador.
Assim sendo, está-lhe indelevelmente associada a ideia da regularidade do seu recebimento. Porque assim é, o não recebimento da remuneração devida coloca o trabalhador numa posição de fragilidade e dependência face à entidade patronal com os prejuízos, de ordem profissional e sócio-familiar, que daí advêm.
Por outro lado, a competição entre Clubes/SAD cumpridores e incumpridores leva a graves atropelos da verdade desportiva, com benefício evidente para os últimos já que usufruem de meios, no caso meios humanos, sem suportarem os inerentes encargos financeiros.
2. Paralelamente, o SJPF apresentou publicamente o Projecto denominado Fundo de Garantia Salarial destinado a minimizar o problema.
Cabe referir que neste domínio a Federação já deu a sua concordância e a Liga acaba de associar-se através da afectação da verba resultante do Jogo das Estrelas.
3. Por último, e para obviar a qualquer dúvida, importa esclarecer que para o SJPF, no que toca ao conceito de incumprimento, se funda no seguinte critério: “têm-se por incumprimento o não o pagamento do salário até ao dia 5 do mês subsequente àquele a que disser respeito».
1. Cumpridores
Bwin Liga

- Futebol Clube do Porto
- Sporting
- Benfica
- Sp. Braga
- Belenenses
- U. Leiria
- Paços de Ferreira
- Desportivo das Aves
- Beira-Mar
Liga Vitalis
- Leixões
- V. Guimarães
- Olhanense
- Portimonense
- Gondomar
- Feirense
- Vizela
- Trofense
- Rio Ave
2. Incumpridores
Bwin Liga
- V. Setúbal
- Boavista
- Estrela da Amadora
- Clube Desportivo Nacional
- Marítimo
- Académica
- Naval 1.º de Maio
Liga Vitalis
- Desp. Chaves
- Estoril
- Santa Clara
- Varzim
- Penafiel
- Olivais e Moscavide
- Gil Vicente


III. Nota Conclusiva
1. A primeira ilação que do exposto se colhe, com clareza cristalina, é a da existência de um grave problema e das gravosas consequências que, em várias vertentes, lhe estão associadas relevando a de índole sócio-económico e familiar.
2. Ora, a superação do problema, só será possível atingido através de uma radical mudança de mentalidades e de práticas. Concretamente, haverá que:
- Definir parâmetros rigorosos, nomeadamente no que toca à exigência de garantias bancárias para garantir o recebimento pontual dos salários;
- Criar um órgão de fiscalização autónoma, de acompanhamento - antes, durante e finda a competição - que garanta o tratamento igual, em termos do cumprimento das regras no domínio económico-financeiro de todos os competidores;
- Fixar um regime sancionatório mais grave para os incumpridores, em que se preveja e aplique a despromoção desportiva;
- Responsabilizar em termos efectivos os dirigentes que não respeitem os parâmetros desportivo-financeiros.
3. Como nota final, deixa-se uma palavra de exigência e apelo:
Apesar da disponibilidade da Federação e da Liga para a implementação do Fundo de Garantia Salarial, por um lado, e da tentativa louvável da Liga para apertar o controle financeiro ao Clubes/SAD, este problema só será erradicado se todos e cada um tiverem a coragem de assumir as respectivas responsabilidades em prol da melhoria do futebol português.
Se assim não for, persistirão os problemas e adiar-se-ão as soluções. Neste contexto, o SINDICATO sentir-se-á legitimado para imputar responsabilidades a quem, podendo e devendo agir, se pautar pela omissão. É que a assunção de responsabilidade deve ser plena, abrangendo, por isso, os êxitos e as derrotas não deixando, que a culpa pelas últimas continue a morrer solteira. A
Direcção do SJPF
24-05-2007

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