04/08/2007

Eurico de Melo - Mais Um Defensor da Regionalização


Excerto da entrevista de Eurico de Melo à "Porto Sempre"

(...)

Dadas as suas raízes de forte pendor regionalista, como é que olha, hoje, no recato do lar ou na tertúlia de amigos, em Santo Tirso, para as regiões do Norte e do Interior?

Cada vez sou mais do Norte, e cada vez estou mais preocupado. Porquê? Pelo facto de o Norte estar a perder influência a todos os níveis? Já perdeu muita, está a perder muita e vai perder muito mais.

Como assim?

Porque o poder está cada vez mais centralizado em Lisboa, não só o poder político como, sobretudo, o poder económico. Dou-lhe apenas três exemplos: primeiro, o concelho de Lisboa não produz um único KW de energia eléctrica; não produz um quilo de cimento; não produz um quilo de pasta de celulose ou de papel, mas todas essas empresas estão sedeadas em Lisboa. Acresce que quase todos os bancos também lá têm as suas sedes.

E a nível autárquico?

A influência dos autarcas do Norte também é cada vez menor. O exemplo do Metro do Porto é caricato. Houve fortes controvérsias, envolvendo o Sr. Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e até o Sr. Primeiro-Ministro, quando se tratou de um singelo aumento da rede do Metro, que custou alguns milhares. Lisboa gasta milhões todos os anos no Metro e eu pergunto: há alguma controvérsia nos jornais a respeito do Metro de Lisboa?

Não será isto, no minimo, caricato e anedótico?Quando o Porto quer fazer alguma coisa, tem de ter o carimbo do Governo. Quando Lisboa precisa de algo, anda para a frente sem necessidade de carimbos.

Em sua opinião, excesso de centralismo pode rimar com autoritarismo?

Totalmente. Vou dizer-lhe o seguinte: fui, em tempos, um dos grandes combatentes contra a regionalização política, embora favorável à de cariz administrativo.E hoje?Hoje, sou um grande defensor da regionalização política, tão acentuada quanto possível.

E, já agora, que via preconiza?

A parlamentar ou a do referendo?

A que os senhores de Lisboa quiserem. Para mim, qualquer uma serve. Almeida Garrett, que era aqui do Porto, era criticado e alvo de chacota por causa da sua pronúncia nortenha. Um dia, perguntaram-lhe por que é que trocava, muitas vezes, os vês pêlos bês, e ele respondeu: trocamos, muitas vezes, os vês pêlos bês, mas nunca trocamos a liberdade pela servidão. Estas palavras são palavras de ordem dirigidas às gentes do Norte e do Interior do Pais. Nós estamos a trocar a liberdade pela servidão. Se o Norte e o Interior não reagem, e não reagem fortemente, estamos a trocar a liberdade, que temos e queremos, pela servidão a Lisboa. Se alguém pegar no estandarte, eu, embora com esta idade, ainda pegaria numa das borlas. Até era capaz de rejuvenescer...!
(...)

1 comentário:

Anónimo disse...

Fico sempre aparvalhado quando oiço, ou leio o que este Cacique deita cá para fora. Que ele tem lata para tudo, não tenho dúvidas. Que como bom PSD tem várias caras, tb não duvido. Mas tb não esqueço que este patriota de pacotilha, foi governante, esteve lá por Lisboa, e que com ele tinha mais umas boas dezenas de quadros e outros ministros e secretarios de estado, tudo gente do Norte, e que mandaram o Norte às malvas. O Norte, como o Sul, neste quintal à beira mar plantado, são tão pequenos, como pequenos são os mesquinhos interesses que movem gente como este Eurico e outros que tais. Era contra a Regionalização, agora é a favor, amanhã sabe-se lá o que será.Mas será sempre alguma coisa que lhe dê interesse, como os lugares nas administrações das empresas, que só ocupa por via dao caciquismo e da politica de compadrio, nunca por competência.