16/12/2007

Pesquisa mostra divisão da opinião pública mundial sobre a liberdade de imprensa e a informação

Postado por Carlos Castilho


Ao contrário do que muitos esperavam, não há uma unanimidade mundial sobre a importância da liberdade de imprensa, como indica uma consulta feita pela rede pública de televisão da Inglaterra, a BBC, a 11.344 pessoas em 14 países.

Os resultados da consulta mostram uma aguda divisão de opiniões entre quem mora em países ricos e os habitantes das chamadas nações em desenvolvimento. O que mais chama a atenção é o facto da maioria dos latino-americanos, africanos e os residentes em países pobres da Ásia acharem que a justiça social e a paz podem justificar limitações na liberdade de imprensa.

São duas perspectivas diferentes e que resultam de duas realidades igualmente distintas. Enquanto os entrevistados nos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, bem como na África do Sul, Venezuela e Quênia, 60% dos entrevistados priorizaram a questão da imprensa livre, a pesquisa na Rússia, Singapura e Índia, destacou a preocupação dos consultados com a ordem e o controle estatal.




(Tradução do quadro publicado no site da BBC World Service


título IMPORTÂNCIA DA LIBERDADE DE IMPRENSA


Codificação: Vermelho - a liberdade de imprensa é muito importante para garantir uma sociedade justa.


Azul - A estabilidade social e a paz são mais importantes, assim, algumas vezes, os controles podem ser necessários.


Laranja - Não sei)

A diversidade regional e cultural dos países envolvidos na pesquisa não esclarece a dúvida entre liberdade de imprensa e liberdade de informação, já que as duas não são sinônimos. Uma está ligada a uma atividade comercial enquanto a outra vincula-se a um direito humano.

Mas isto não impede que se veja os resultados por uma outra óptica, não menos relevante. A pesquisa dá a entender que 40% dos entrevistados ainda não estariam considerando a informação como um elemento essencial em suas vidas.

Esta possibilidade é extremamente grave porque na era da informação, quem tem mais, cresce mais rápido, o que pode levar a um modelo de desigualdade ainda pior do que o existente actualmente.

A informação é uma matéria prima curiosa. Quanto mais circular entre pessoas e for recombinada com mais intensidade, maior será a sua valorização, ao contrário de todas as demais matérias primas, que tendem a se esgotar.

Os países pobres tem uma inesgotável e incomensurável reserva de informações não processadas e que são essenciais para o mundo rico. Tudo hoje embute algum conteúdo informativo, até mesmo as plantas da Amazônia, que estão sendo levadas para fora do país para que cientistas retirem delas os códigos genéticos indispensáveis à síntese de novos medicamentos.

Mas como os habitantes do terceiro mundo ainda não tomaram consciência da importância da informação, ela está sendo dada em troca de espelhinhos, como na chegada dos portugueses ao Brasil, há 500 anos.

A pesquisa da BBC indica que a liberdade de imprensa é mais valorizada por norte-americanos, ingleses e alemães que são também os que criticam com mais intensidade da mídia em seus respectivos países. Os alemães são os leitores mais exigentes, pois apenas 18% deles consideraram confiáveis as informações publicadas pela imprensa local.

Os brasileiros entrevistados pelas empresas GlobeScan e Synovate, contratadas pela BBC, encontram-se na companhia de norte-americanos e ingleses na crítica à influência que os donos de empresas jornalísticas exercem sobre as informações publicadas na imprensa de seus respectivos países.

Metade do público brasileiro está mais preocupado com a liberdade de imprensa enquanto a outra metade admite que o Estado pode interferir nas empresas jornalísticas para garantir a paz e a estabilidade social.

A pesquisa da BBC tem enormes limitações, mas pode ser vista como a ponta de um iceberg, pois os dados, mesmo parciais, indicam que o público parece não estar assumindo o mesmo discurso das empresas jornalísticas em matéria de liberdade da imprensa.

Correção do texto
Mudei a redação do décimo parágrafo do texto, atendendo à observações de um leitor. A versão antiga era a seguinte: "A pesquisa da BBC mostra também outros paradoxos sobre a liberdade de imprensa. Os norte-americanos, ingleses e alemães são os que mais valorizam a liberdade de informação, mas por outro lado são os que mais criticam a imprensa de seus respectivos países" .

No tocante a Portugal não há informação sobre este estudo.

Sem comentários: