31/12/2008

CESSAR FOGO EM GAZA...JÁ


Caros amigos,
Inclua seu nome no abaixo-assinado de emergencia exigindo o cessar-fogo em Gaza. Nós o entregaremos imediatamente ao Conselho de Segurança da ONU, à Liga Árabe e aos líderes dos EUA e de outros países! Mobilize-se agora! Ao observarmos o massacre de Gaza com horror e assustados com a rápida e descontrolada espiral da crise, uma coisa é certa: essa violência só causará mais sofrimento entre os civis e uma escalada do conflito.
É preciso encontrar outra solução. Até agora, mais de 370 pessoas já morreram e outras centenas foram feridas. Pela primeira vez, os mísseis estão atingindo a cidade de Ashdod, no interior de Israel, e ambos os lados do conflito estão se mobilizando para uma invasão. Começou uma reação mundial, mas será preciso mais do que palavras: não haverá o fim da violência imediata, nem a garantia de paz geral sem uma firme mobilização da comunidade internacional.
Estamos lançando hoje uma campanha emergencial que será entregue ao Conselho de Segurança da ONU e às principais potências mundiais, pedindo medidas para garantir o cessar-fogo imediato, atenção à escalada dessa crise humanitária e providências para que se possa chegar à paz real e duradoura na região.1 Siga o link abaixo agora mesmo para assinar o abaixo-assinado de emergencia e enviá-lo a todas as pessoas que você conhece:
Após oito ou mais anos de diplomacia americana e internacional sem resultados, que levaram ao dia mais sangrento de Gaza já registrado pela memória recente, precisamos levantar um protesto mundial exigindo que os líderes mundiais façam mais do que emitir declarações, para que possam garantir a paz nessa região. A ONU, a União Européia, a Liga Árabe e os EUA devem agir juntos para garantir um cessar-fogo, inclusive dando fim aos ataques de mísseis em Israel e abrindo os pontos de travessia de fronteiras para obtenção de combustíveis, alimentos, medicamentos e outras remessas de ajuda humanitária.
Com a posse do novo presidente americano em menos de um mês, surge uma oportunidade real de reviver os esforços de paz. As recentes hostilidades exigem não apenas um cessar-fogo imediato, como também um compromisso de Obama e outros líderes mundiais de que a resolução do conflito entre Israel e Palestina terá prioridade máxima em suas agendas. Diante do impacto desse conflito contínuo em todo o mundo, isso é o mínimo que devemos exigir.
Em 2006, fizemos uma mobilização pelo cessar-fogo no Líbano. Durante anos, temos trabalhado por uma paz justa e duradoura, publicando outdoors e anúncios em Israel e na Palestina. Agora, entrando no novo ano de 2009, precisamos nos mobilizar novamente para exigir a resolução pacífica e duradoura do conflito, em vez da escalada da violência. Siga este link para incluir seu nome do pedido de paz:
Todos os lados do conflito continuarão a agir assim como antes se acreditarem que o mundo vai permitir que eles continuem com essa postura sem fazer nada para detê-los. Dois mil e nove será um ano em que as coisas poderão ser diferentes. Diante dessa crise e das possibilidades de um novo ano, é hora de exigir o cessar-fogo e trabalharmos juntos para finalmente dar fim a esse ciclo de violência.
Com esperança e determinação,
Brett, Ricken, Alice, Ben, Pascal, Paul, Graziela, Paula, Luis, Iain e toda a equipe da Avaaz

1 Entre as medidas adicionais possíveis estão: uma resolução formal do Conselho de Segurança em vez da emissão de uma declaração à imprensa, como a de 28 de dezembro de 2008; pressão internacional explícita nas esferas pública e privada para que as partes conflitantes acabem com as hostilidades, inclusive elaborando termos claros para a retomada das negociações (ver também este artigo em inglês: http://www.jpost.com/servlet/Satellite?cid=1230456497503&pagename=JPost/JPArticle/ShowFull); supervisão internacional da fronteira em Rafah; e, com o tempo, uma resolução detalhada do Conselho de Segurança estabelecendo os termos do direito internacional para a paz permanente entre Israel e a Palestina.

27/12/2008

AS " MAIS DE 2008 "

Janeiro
"Eu não tinha condições para continuar."
Correia de Campos, ex-ministro da Saúde, ao explicar porque pediu demissão
"Dá cá um abraço. Obrigado pá. Obrigado por tudo o que fizeste."
José Sócrates a Correia de Campos na tomada de posse dos novos ministros, depois da remodelação ministerial do início do ano
"Correia de Campos comunicou mal o problema das urgências e isso minou-lhe tudo o resto."
Jorge Coelho na SIC Notícias, explicando a saída de Correia de Campos
"O PS tinha um compromisso com o Tratado Constitucional. Agora é o Tratado de Lisboa, que não existia na altura. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. As circunstâncias alteraram-se completamente. É um tratado diferente"
José Sócrates no final da Comissão Política Nacional do PS, justificando porque decidiu não submeter o Tratado de Lisboa a referendo
"Foi uma excelente lição para Cadilhe, que sabe tanto de economia como eu de costura."
Miguel Beleza, ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva (1990-91), sobre a derrota do também ex-ministro das Finanças de Cavaco (1985-1990) para Santos Ferreira na disputa pela presidência do BCP
"Eu não sabia da criação das mais de 17 offshores."
Alípio Dias, ex-administrador do BCP
"Os trabalhadores dos impostos têm receio de atacar os grandes, os tubarões."
Helder Ferreira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos
"Pode-se mudar Portugal em seis meses."
Luís Filipe Menezes, então líder do PSD em Janeiro
Fevereiro
"O efeito directo (para a economia portuguesa) da crise das hipotecas subprime e de uma recessão americana é relativamente pequeno."
Sérgio Rebelo, economista português e professor da Kellog School of Management dos EUA ao Diário Económico
"Desde que iniciámos funções, a economia gerou 94 mil postos de trabalho. Não vejo nenhuma razão para que no próximo ano e meio não consigamos ter mais emprego e conseguirmos atingir o nosso objectivo."
José Sócrates, em 15/2, afirmando que o governo vai conseguir cumprir o objectivo de criar 150 mil novos postos de trabalho até ao final da legislatura
"Do ponto de vista moral, não tive dúvidas em aceitar o convite para trabalhar na Lusoponte. Não fiz o contrato [de construção da Ponte Vasco da Gama] a pensar nisto e já passaram 12 anos. Eu estou na Lusoponte há um ano!"
Joaquim Ferreira do Amaral, ex-ministro das Obras Públicas
"E então a ASAE ainda não veio cá?"
Cavaco Silva, na cozinha do Convento de Arouca, onde se preparam doces conventuais
"Já o disse várias vezes, o primeiro-ministro é corajoso."
Pedro Santana Lopes, então líder da bancada parlamentar do PSD
"Isto é antidemocrático."
José Sócrates, vaiado por professores à porta da sede do PS
"A melhor maneira de estar numa organização sem criar grandes problemas é não fazer nada."
Luís Cunha Ribeiro, ex-presidente do INEM, em Fevereiro
"Cada vez que ponho a cabeça de fora, começa o tiroteio."
Pedro Santana Lopes, em Fevereiro
Março
"Fui sempre uma mulher de palavras, mas hoje estou completamente entupida."
Maria Cavaco Silva, durante uma visita a uma escola de Maputo
"Agora é que a minha mulher vai ficar mais bonita."
Cavaco Silva, referindo-se a um lenço tradicional oferecido à mulher em Moçambique
"Há um vazio, o PSD ainda não merece ser Governo, o PS já não merece"
Luís Filipe Menezes, líder do PSD
"Não vai ser fácil [afastar Menezes da liderança do PSD] porque vai mesmo ter que ser 'à bomba'."
Pacheco Pereira, no blogue Abrupto
Abril
"Fui o guionista, o protagonista e o director do 25 de Abril."
Otelo Saraiva de Carvalho
"Para mim, chega! (...) Tenham coragem aqueles que ao longo dos meses indicaram que seriam bons líderes, mostrem agora que são carismáticos."
Luís Filipe Menezes, ao renunciar à liderança do PSD
"Incomoda-me a falta de respeito com que tratam o PSD."
Manuela Ferreira Leite, no lançamento da sua candidatura à liderança do PSD, 28/4
"Não tenho dinheiro sequer para mandar cantar um cego."
José Oliveira e Costa, ex-presidente do BPN, ao negar ter interesse em comprar o Expresso
"Não tenho quaisquer dúvidas sobre o carácter e honestidade de Fátima Felgueiras."
Armando Vara, ex-ministro adjunto do primeiro-ministro e ex-ministro da Juventude e Desporto de António Guterres e administrador do BCP
"Que políticos anfíbios são estes que saltam de um conselho de ministros para um verdadeiro conselho de ministros empresarial de uma empresa de construção civil que negoceia com o Estado e tem um ministro do PSD, um dirigente do CDS e vários ministros do PS?"
Francisco Louçã, referindo-se à entrada de Jorge Coelho na administração da Mota-Engil. Debate na AR, 11/4
"A Madeira é uma obra ímpar. João Jardim é um exemplo supremo na vida democrática."
Jaime Gama, presidente da Assembleia da República e militante do PS
"O importante é a percepção que se cria nas pessoas. O mercado vai atrás de quem? Das empresas ganhadoras. Mas é claro que dá alguma sensação poder dizer: 'Ó Sócrates, recebes-me aí o Manuel Joaquim amanhã?'"
António Cunha Vaz, da Cunha Vaz & Associados, em entrevista ao Público
"Tudo isto envolve dinheiro, mas estou-me cagando para o dinheiro. Quero é um sítio onde os livros sejam tratados com dignidade."
António Lobo Antunes, referindo-se à possibilidade de abandonar a editora Leya
Maio
"Admitir que se pudesse passar no BPI o que se passou no BCP, para mim, é ofensivo. Porque o que se passou no BCP é abaixo de tudo."
Fernando Ulrich, presidente do BPI, ao Diário Económico, em Maio
"Tenho o dever cívico de vos manifestar profunda indignação pela atitude do PS na 6ª feira na Assembleia da República a propósito do voto de pesar ao cónego Melo. Mesmo que ela tenha ocorrido após a vergonha da homenagem do seu Presidente ao Dr. A. J. Jardim: temos o direito - e o dever - de não nos habituarmos !"
Carta de Victor Louro, antigo deputado à Assembleia da República, enviada ao Grupo Parlamentar do PS. A Assembleia da República aprovou no dia 2/5 um voto de pesar pela morte do cónego Melo, com os votos favoráveis do CDS-PP e do PSD, a abstenção da maioria dos deputados socialistas e o voto contra do PCP, BE e PEV. O Parlamento fez depois um minuto de silêncio. Dois deputados do PSD, dezenas de deputados do PS e todo o grupo parlamentar do BE abandonaram a sala.
"Sugiro ao PS e aos seus responsáveis uma reflexão profunda sobre a pobreza, as desigualdades sociais, o descontentamento."
Mário Soares em artigo no Diário de Notícias
"O governo não está a dormir, à espera que o dr. Mário Soares faça um aviso."
Mário Lino, ministro das Obras Públicas
"Estamos a empurrar o país para a esquerda com a nossa inoperância. O Bloco de Esquerda e o PCP, daqui a nada, são 20% e isto não se passa em nenhum outro país da Europa."
Manuela Ferreira Leite, em entrevista à RTP
"De facto fumei no avião, com pessoas que vinham na minha comitiva, como o ministro da Economia, enquanto conversávamos. (...) Se por algum motivo violei algum regulamento, lamento o que fiz. Peço desculpa por isso e isso não voltará a acontecer. (...) Decidi deixar de fumar."
José Sócrates, que fumou no voo para Caracas, DN de 15/5
"Quem introduziu o calvinismo na vida política foi um primeiro-ministro que achou que devia fazer exibição política dos seus vícios."
Francisco Louçã, no debate parlamentar com o primeiro-ministro
"Tendo em conta que, deixando de fumar, Sócrates viverá mais tempo, não sei se a medida será benéfica para o País. Nesse sentido, é possível que não seja uma promessa, mas sim uma ameaça."
Ricardo Araújo Pereira na Visão, 22/5
"Não concordo nem discordo. O primeiro-ministro e o ministro do Trabalho intervieram na defesa da proposta de revisão do Código do Trabalho. Eu optei por não falar."
João Proença, justificando porque optou por ficar em silêncio na reunião da Comissão Política do PS que discutiu o Código do Trabalho, Público online, 21/5
"Dupla personalidade tem você"
João Proença, no final da mesma reunião, em resposta a um jornalista da TSF que lhe perguntou se estava perante um caso de "dupla personalidade".
"Os senhores agora têm que se habituar que eu já não tenho vida política"
Jorge Coelho aos jornalistas, depois de os accionistas da Mota-Engil SGPS, em assembleia geral, terem aprovado a sua nomeação para a vice-presidência do grupo
Junho
Hoje, eu tenho de sublinhar a raça, o dia da raça, o dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas."
Cavaco Silva no dia 10 de Junho
"É incompreensível que o mais alto representante da República veicule publicamente a pior imagética do anterior regime."
Fernando Rosas, historiador e deputado do Bloco de Esquerda
"A minha lealdade é com os milhares de portugueses que votaram socialista e estão neste momento desempregados ou precários."
Manuel Alegre, no Teatro da Trindade no dia 3 de Junho
"O Bloco de Esquerda é um epifenómeno, como foi o PRD. Espero que tenha o mesmo destino."
Renato Sampaio, presidente da Federação Distrital do Porto, que se arrisca a ter uma espera longa
"Concebo um sistema de ensino sem Ministério da Educação."
Daniel Sampaio, psiquiatra
Julho
"Trinta e cinco por cento dos pobres são pessoas que trabalham."
Alfredo Bruto da Costa, presidente do Conselho Económico e Social, no final de uma audiência com o presidente da República
"Não tenho dúvidas de que [eu e Pedro Santana Lopes] éramos mais representativos, intelectualmente mais sólidos, culturalmente mais bem preparados, politicamente mais experientes, ideologicamente mais esclarecidos, mais carismáticos e melhores comunicadores [do que Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel]."
Luís Filipe Menezes, ex-líder do PSD, em artigo de opinião no Diário de Notícias
"A família tem por objectivo a procriação."
Manuela Ferreira Leite, em entrevista ao Diário de Notícias (2/7), a propósito do casamento das pessoas do mesmo sexo.
"Será que, na mesma linha de raciocínio, [Manuela Ferreira Leite] pensa proibir o casamento para heterossexuais inférteis?"
Reacção da Ilga às palavras da dirigente do PSD
"Robin dos Bosques não se juntava aos ladrões do castelo para dividir os lucros."
Francisco Louçã no debate com o primeiro-ministro sobre o Estado da Nação
"Como a CGTP não assina nada, a UGT tem de assinar."
João Proença, em resposta à pergunta "Assina tudo o que o Governo lhe põe à frente?"na Sábado
Agosto
"Da mesma forma que a gente faz a reforma agrária na terra, vamos fazer uma reforma aquária na água."
Lula da Silva, presidente do Brasil, ao transformar a Secretaria das Pescas em Ministério
"Paulo Portas vai condenar o CDS a ser o partido do táxi."
Narana Coissoró, militante do CDS/PP
"Quero agradecer aos portugueses, porque toda a gente vê as minhas provas e quero pedir desculpa, porque estão a pagar para eu estar aqui e não consegui chegar à final."
Francis Obikwelu anunciando o fim da carreira de atleta de elite, onde levou Portugal à medalha de prata nos 100 metros das olimpíadas de 2004
"Os prémios são sempre agradáveis, sobretudo quando vêm com muito dinheiro."
António Lobo Antunes, escritor, vencedor do Prémio Camões
Setembro
"Sócrates fingiu que não lia o discurso, mas fazia-o através de um ‘powerpoint'".
Manuela Ferreira Leite sobre o comício de ‘rentrée' política do PS em Guimarães, que acusou de ser uma "lamentável ostentação de riqueza".
"Os alunos vão ter aulas ali? Pensava que fossem contentores para as obras."
José Sócrates, primeiro-ministro, numa visita à Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa
"São monoblocos para os alunos terem aulas, eles depois nem querem sair daqui."
Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, justificando que os contentores tinham ar condicionado e eram melhores do que pareciam
"Achei que conseguiria, com tempo e persuasão, convencer o dr. Nobre Guedes a não se afastar
Paulo Portas justificando ter demorado um ano para informar a renúncia do seu vice-presidente
"Durante o último ano, a minha vida política foi rigorosamente igual à de Nobre Guedes: eu não tive interesse em desempenhar cargos no CDS, não compareci numa única reunião do partido nem participei em qualquer iniciativa partidária. Por isso, há uma possibilidade muito forte de eu ter sido vice-presidente do CDS sem saber."
Ricardo Araújo Pereira, na Visão, 11/9
"O tempo da facilidade acabou."
José Sócrates, acerca dos professores sem colocação
"A casa foi-me atribuída legalmente. O contrato de arrendamento era legal."
Ana Sara Brito, vereadora do PS responsável pela Acção Social da Câmara Municipal de Lisboa, explicando porque morou durante 20 anos numa casa da Câmara, pela qual pagava uma renda de 146 euros
"Verifica-se que a generosidade do regime de subsídio de desemprego (...) continua a contribuir para um nível elevado de desemprego de longa duração."
Boletim Económico do Banco de Portugal, Outono de 2008
"É uma loucura, são declarações de quem está mal com a vida e consigo própria, devia repensar a sua posição no partido. Não é um discurso político, é um discurso a necessitar de Lexotan".
José Lello, dirigente do PS, referindo-se às críticas de Ana Benavente à política do governo
Outubro

"Fiquei surpreendido por ver como as vacas avançavam uma a uma e se encostavam ao robot, sentindo-se deliciadas enquanto este realizava a ordenha"
Cavaco Silva, referindo-se a um robot existente numa exploração que visitou, JN 3/10
"O aumento do salário mínimo nacional roça o nível da irresponsabilidade."
Manuela Ferreira Leite, líder do PSD, num almoço com empresários em Lisboa, depois de o primeiro-ministro ter confirmado que o salário mínimo nacional de 2009 seria aumentado para 450 euros, conforme acordado desde Dezembro de 2006 na Concertação Social
"Se houver uma proposta da Comissão Europeia para se acabar com todos os off-shores, eu serei o primeiro a dizer que sim."
Teixeira dos Santos, ministro das Finanças, no Parlamento
"Até o Magalhães o abria."
Teixeira dos Santos, ministro das Finanças, ao entregar no Parlamento o Orçamento do Estado de 2009 numa pen, três horas e meia depois do horário inicialmente previsto. Horas depois, os grupos parlamentares denunciaram que faltavam os relatórios e os mapas, sem os quais o Orçamento fica ininteligível.
"Todos os meus assessores usam este computador. Não precisam de outro."
José Sócrates, referindo-se ao Magalhães, na cimeira Ibero-americana
Novembro
"Sócrates nem sequer se apercebe, que, quando diz que o computador é resistente aos líquidos, pela cabeça daqueles adultos empedernidos, os líquidos que se imaginam não são propriamente nem água, nem leite, nem iogurte."
José Pacheco Pereira, no blogue Abrupto, 2/11
"[Ao] desemprego de Cabo Verde, ao desemprego da Ucrânia, isso ajudam. Ao desemprego de Portugal, duvido".
Manuel Ferreira Leite, interrogada se não considera que "as obras públicas ajudarão, pelo menos, ao factor desemprego"
"Eles não precisam de 80 euros para ir beber cervejas, comer doces ou serem roubados pelos filhos."
Maria José Nogueira Pinto, nas Jornadas Parlamentares do PSD, explicando porque é contra o Complemento Solidário para Idosos
"O montante das dívidas sempre foi e é todos os anos transparente, quando todos os serviços do Ministério da Saúde publicam as suas contas. Portanto é só fazer as contas para se saber o montante das dívidas".
Francisco Ramos, Secretário de Estado da Saúde, respondendo à pergunta «Qual o valor da dívida da saúde?» formulada pelos jornalistas na Assembleia da República
"Essas coisas do Financial Times são muito subjectivas. Eu, por exemplo, acho que os ingleses se lavam pouco."
Nogueira Leite, economista, sobre o ranking publicado no influente diário económico britânico, que aponta Teixeira dos Santos como o pior ministro das Finanças da União Europeia
"Mesmo quando a supervisão não descobre fraudes, não significa que não faça nada. Faz e muito."
Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, sobre o caso BPN
"Oliveira e Costa divorciou-se da mulher com quem era casado havia 42 anos, e passou os bens para o nome da senhora. Trata-se do rigoroso oposto do 'golpe do baú': o objectivo não é casar para ficar rico, é divorciar-se para enriquecer o cônjuge."
Ricardo Araújo Pereira na Visão, 27/11
"Estas manifestações também servem para fazer chantagem não apenas sobre a ministra da Educação mas sobre as escolas e os professores (...) e esse é o objectivo."
Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, em entrevista à RTP, referindo-se à manifestação de 120 mil professores em Lisboa, 8/11
"Peço desculpa aos senhores professores por ter causado tanta desmotivação."
Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação
"Uma carta de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS'."
Maria de Lurdes Rodrigues em entrevista ao Público, partilhando um dos bons momentos que teve no ministério da Educação
"Lamento ter dito algumas coisas que não deveria dizer."
George W. Bush à CNN, ao fazer o balanço do seu mandato
"Os portugueses têm de poupar mais e comprar menos Mercedes."
António Borges, vice-presidente do PSD
"É muito difícil explicar a uma criança as diferenças entre o PS e o PSD."
Patrícia Reis, escritora e jornalista
"A Coreia do Norte está numa zona do planeta que liga muito aos chefes."
Odete Santos, em entrevista à SIC Notícias, 29/11
"Umas breves considerações sobre o BE. (...) Com carácter social-democratizante disfarçado por um radicalismo verbal esquerdizante."
Jerónimo de Sousa, na abertura do Congresso do PCP
Até nem sei se não seria bom estar seis meses sem democracia para pôr tudo em ordem e depois voltar à democracia."
Manuela Ferreira Leite, criticando o ataque do governo aos professores e funcionários públicos
«Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite», defendeu.
Manuela Ferreira Leite, admitindo ter alguma dificuldade em passar a sua mensagem através dos meios de comunicação social
Dezembro
"Eu acreditaria em mim."
Dias Loureiro, a propósito do caso BPN
"O Banco Privado Português (BPP) não tem um impacto sistémico no sector financeiro nacional, dado o peso pouco significativo de depositantes que tem."
Teixeira dos Santos, ministro das Finanças (24/11)

"Em virtude dos riscos de contágio que aquela situação potencialmente comporta, foi possível obter a concordância de outras instituições de crédito para prestar apoio financeiro ao Banco Privado Português..."
Comunicado do Banco de Portugal, justificando o plano do Banco de Portugal e do governo para financiar o BPP, 2/12
"Estou sempre tranquila. Uma coisa que me caracteriza é a tranquilidade."
Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, no dia da greve de professores, em 3 de Dezembro
"Iniciada a avaliação a sério este ano, estarei aberta à discussão das alterações ao modelo e até à sua substituição."
Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, no dia 4 de Dezembro, perante os deputados da comissão parlamentar
"Isto é um beijo de despedida do povo iraquiano, cão"
Muntader al-Zaidi, jornalista de 29 anos que tentou atingir o presidente dos EUA, George W. Bush, com os seus sapatos durante uma conferência de imprensa em Bagdad

26/12/2008

Revista que explora 'culto ao corpo' gera polêmica no Líbano



Jasad já enfrenta pressão de grupos opositores


Uma revista que explora temas tabus na sociedade árabe chegou às bancas nesta segunda-feira no Líbano em meio a muita controvérsia.A revista intitulada Jasad (Corpo, em árabe) é uma das raras publicações a explorar temas eróticos no país. A capa da primeira edição mostra uma mulher nua envolta em um pano de seda.
A revista trimestral foi idealizada pela poeta e jornalista libanesa Joumana Haddad, e contará com colaboradores de vários países do mundo árabe como Egito, Marrocos, Síria, Territórios Palestinos e Arábia Saudita.
“A revista é um sonho antigo, uma extensão do meu trabalho como poeta, uma forma de me expressar”, disse Haddad, também editora de cultura do jornal diário An Nahar.
Ela defende a publicação como uma forma de tentar recuperar uma antiga tradição literária na língua árabe, que se perdeu pela "influência religiosa na vida diária da sociedade”.
"Escritores árabes produziram textos maravilhosos, e com conteúdos que exploravam o corpo, entre os séculos 10 e 13, como Mil e Uma Noites."
Restrições
Uma publicação como Jasad não passa despercebida em uma região conservadora como o mundo árabe, onde publicações sofrem restrições mesmo em países como o Líbano, considerado mais liberal em relação a outros.
Nas bancas de Beirute pode-se encontrar revistas e livros pornográficos, mas de origem estrangeira. A Jasad seria a primeira publicação verdadeiramente libanesa.
Antes mesmo de ser lançada, o projeto já sofreu oposição de alguns grupos.
Haddad disse que não apenas os muçulmanos, mas também os cristãos mais conservadores desaprovam sua revista. Muitos a aconselharam a não levar adiante seu projeto.
Recentemente, em uma feira de livros em Beirute, um pôster da revista foi arrancado por um indivíduo que acusou a imagem da capa de ser “proibida”.
“Inclusive amigos me falaram que eu deveria repensar o projeto, que poderia me trazer problemas. Confesso que comecei a ficar nervosa com esta atenção toda, mas não tenho medo, pois, felizmente, vivo num país mais livre como o Líbano”, salientou ela.
O nível de tolerância no mundo árabe varia dependendo do país. Mas, em geral, há repressão a idéias que quebrem os tabus sobre temas como virgindade, erotismo e homossexualidade.
Mas ano após ano, com a globalização e acesso à internet, governos da região vêm encontrando cada vez mais dificuldades em controlar a produção cultural que difere das normas pré-estabelecidas.
A revista contará com artigos, fotos, arte e ilustrações que falarão sobre o culto ao corpo, erotismo e sexo. Os autores assinarão os trabalhos usando seus nomes, e não com pseudônimos.
Haddad lançou a revista como forma de se expressar “No Líbano, a revista Jasad, com 200 páginas, será vendida em envelopes plásticos lacrados como “publicação adulta”. No exterior, ela será entregue para assinantes que pagarão 130 dólares por todas as quatro edições anuais.
De acordo com a jornalista, já há assinantes no Egito, Marrocos, Tunísia e até a Arábia Saudita, considerado o país mais conservador do mundo árabe.
“Tenho esperanças de que o projeto dará muito certo, tudo está sendo feito com muita paixão”, declarou Haddad, que começou a colocar em prática o projeto da revista há dois anos.
Empreendimento
O site da revista, que também vai mostrar seu conteúdo, contará com um fórum de discussão e que tentará estimular o livre debate sobre o corpo.
“Estou ciente que teremos muitas polêmicas, por isso vamos controlar os comentários no site. Sei que seremos ofendidos por aquelas pessoas mais fanáticas”.
Para realizar seu projeto pessoal, a poeta libanesa fundou sua própria editora e conseguiu um distribuidor que se comprometeu a não interferir no conteúdo.
O Ministério da Cultura autorizou a publicação sem nenhum problema, segundo Haddad. Mas para a revista se tornar realidade, ela investiu dinheiro do próprio bolso.
"Já estou negociando publicidade para manter o empreendimento, mas será uma relação aberta e honesta."
O logotipo do título da revista contém, inclusive, uma algema que representa a “prisão das pessoas em discutir o corpo”.
“Eu mesma fui criada de uma maneira tradicional, conservadora. Claro que respeito os hábitos e opiniões, mas quero fazer algo para mim e dar a chance para outros se expressarem”,
salientou.

16/12/2008

ILIBADO!...

O Campeão Nacional de estrada, na versão de fundo, João Cabreira, ganhou o braço-de-ferro com a FPC. Na verdade, e não fora a cega "cruzada" por parte da FPC, mesmo que para isso tivesse que atropelar os seus próprios Regulamentos, era insustentável a acusação em relação ao João. Só quem acha que quem quer, pode e manda poderia ter penalizado o corredor quando, e segundo os próprios regulamentos da FPC, não havia por onde lhe pegar. Não são os corredores, muito menos os jornalistas imparciais quem vem debitar leituras do regulamento. Um corredor tem 24 horas para se sujeitar a um controlo inopinado se, por acaso, falhar o primeiro. NINGUÉM, frisou isto. Sabiam-no, mas adulteraram a informação. Ora acontece que, funcionando esta regra, DE FACTO o João Cabreira não podia - porque tudo indicava que estava na posse da razão - ter sido acusado. O João Cabreira foi ilibado de uma acusação que se revelou frágil, sem pernas para andar....Esperam-se desculpas públicas. Ao mesmo tempo, o castigo de um ano ao Pedro Cardoso foi reduzido a seis meses!... Tudo bem, mas quem é que os vais ressarcir do mal que lhes foi feito? Pela FPC...Vamos deixar que saia impune destas decisões que foram revogadas?
in Veloluso

13/12/2008

Cavaco manda código do trabalho para o Tribunal Constitucional



O Presidente da República requereu ao Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva do diploma de revisão do Código do Trabalho, aprovado a 7 de Novembro no parlamento. Cavaco tem dúvidas sobre o alargamento do período experimental de três para seis meses. Na altura do debate parlamentar, a oposição acusou o PS de com esta medida contribuir para o aumento da precariedade.
"A norma em causa, que alarga para 180 dias a duração do período experimental da generalidade dos trabalhadores, suscita particulares dúvidas, no caso do trabalho indiferenciado, quanto à sua conformidade com a exigência de proporcionalidade das leis restritivas de direitos, liberdades e garantias." pode ler-se na nota publicada no site da Presidência da República.
O Tribunal Constitucional tem agora 15 dias para se pronunciar sobre a constitucionalidade da medida. Na altura do debate parlamentar, vários partidos da oposição acusaram o Partido Socialsita de com esta medida promover a precariedade. Ainda antes, o professor de Direito laboral na Universidade de Coimbra, Jorge Leite, considerou que ela "viola a estabilidade de emprego", ficando um "empregador com mais vantagem em ter um trabalhador à experiência do que um com contrato a termo".A revisão do código do trabalho foi votada no passado dia 7 de Novembro na Assembleia da República e aprovada com os votos favoráveis do PS, abstenção dos partidos da Direita e votos contra de BE, PCP, PEV, MPT e cinco deputados do PS (Manuel Alegre, Teresa Portugal, Júlia Caré, Eugénia Alho e a independente Matilde Sousa Franco).

05/12/2008

Espanha: Dois portugueses mortos no naufrágio de barco de pesca


Uma vez mais as Caxinas de luto

- Dois dos três pescadores mortos no naufrágio do barco de pesca "Rosamar" são portugueses, estando por identificar a terceira vítima mortal, disse hoje fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades.
"Dois mortos são portugueses e o terceiro ainda não se conseguiu identificar", disse a fonte.
O barco de pesca "Rosamar" naufragou hoje a 24 milhas a norte de Burela, na costa da Galiza, com oito portugueses e cinco indonésios a bordo.
Até ao momento, as autoridades espanholas conseguiram resgatar cinco tripulantes com vida e registaram três mortos e cinco desaparecidos.
Dos tripulantes resgatados por um helicóptero do Governo Regional da Galiza, três são portugueses e dois são indonésios.
Contactado pela Agência Lusa, o armador do "Rosamar", Jesus Lavayel, disse não dispôr para já de qualquer informação oficial, estando neste momento a deslocar-se da localidade de Burela para a Corunha, onde espera obter dados sobre o naufrágio do navio, para depois informar as famílias das vítimas.
"Não sei de nada. O Salvamento Marítimo não me dá qualquer informação. Vou agora para a Corunha, onde devo chegar por voltas 16:00 (de Lisboa)", disse.
O responsável da empresa Pescarias LDA confirmou que a tripulação era composta por oito portugueses e cinco indonésios, escusando-se a avançar mais detalhes sobre os tripulantes.
As operações de busca dos tripulantes desaparecidos continuam, estando a ser utilizados um helicóptero, um avião, um rebocador e duas embarcações de intervenção rápida.
O barco de pesca "Rosamar" está registado na capitania do Porto de Leixões, mas é propriedade de armadores de Burela.

03/12/2008

Lei suspensa a pedido discrimina contribuintes

Segundo Jornal de Noticias de hoje, o Imposto sobre valorização de terrenos em 21 concelhos não é cobrado em Paredes e Vila do Conde.
Fiscalista Saldanha Sanches garante que os despachos são ilegais
As Finanças cobram em 19 concelhos um imposto especial sobre terrenos suspenso em Paredes e em Vila do Conde que devia ter sido revisto há nove anos. Um caso de desigualdade fiscal e de suspensão ilegal de uma lei.
Em causa está o Decreto-Lei n.º 43/98, que cria uma contribuição especial de 30% sobre a valorização de terrenos pelas circulares rodoviárias nas regiões de Lisboa e Porto (CRIL, CREL, CRIP e CREP), que já vigorava nas zonas de influência da ponte Vasco da Gama e da Expo 98 (DL n.º 51/95 e DL n.º 54/95). Entre 2003 e 2007, as três renderam ao Estado mais de 26,4 milhões de euros, dos quais 11,7 milhões foram entregues a 19 autarquias e à Parque Expo 98 (infografia). O imposto incide sobre a diferença entre o valor dos terrenos na data do requerimento de licença de construção ou de obra e o seu valor em 1 de Janeiro de 1992 (zonas da Ponte Vasco da Gama e da Expo) e de 1994 (circulares de Lisboa e Porto).
O problema surgiu em 1999, quando contribuintes de Gandra, Paredes, reagiram. "Havia algo errado", conta José Mota, o contabilista que liderou o movimento popular para "anular a injustiça". Só "muito marginalmente em dois pontos do seu extremo ocidental" confinantes com Sobrado, Valongo, a freguesia seria beneficiada pela A41 e nenhuma freguesia de Valongo, Gondomar ou Santo Tirso é abrangida, esgrimia.
Recusando ser uma "ilha de excepção fiscal", Gandra protestou junto do poder; manifestou-se; boicotou as eleições europeias e legislativas de 1999; pediu ajuda ao Provedor de Justiça contra a violação do princípio da igualdade tributária; clamou que não extraía vantagem económica da via.
O ministro das Finanças de então, Joaquim Pina Moura, reconheceu (despachos de 8 de Outubro 1999 e de 31 e Maio de 2000) a falta de "condições objectivas que sustentem a aplicação do imposto" em Gandra, mandou arquivar os processos e ordenou que fosse "alterada rapidamente" a incidência da contribuição na Lei do Orçamento do para 2001. Tudo ficou na mesma. "Desconhecemos a existência de estudos ou propostas legislativas (...) conducentes à alteração/revisão das áreas geográficas abrangidas no citado diploma", responde o MF.
Em 23 de Dezembro de 1999, a Câmara de Vila do Conde, invocando situação idêntica à de Gandra, pediu a "imediata suspensão" da contribuição no concelho, "até que haja um estudo concreto e pormenorizado que garanta que a fixação seja lógica e justa". O imposto aplica-se segundo a freguesia e não em função da proximidade das vias, argumenta o seu presidente, Mário Almeida. Samora Correia, em Benavente, é um bom exemplo: dista 20 quilómetros da Ponte de Vasco da Gama, mas paga a contribuição.
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais na época, Manuel Baganha, anuiu. Em 23 de Fevereiro de 2000, mandou "suspender todas as operações de avaliação e liquidação" da contribuição em Vila do Conde "enquanto não for revisto o Regulamento". Mas não noutros municípios. O presidente de Benavente, António José Ganhão, critica a distinção "inaceitável e censurável". Em Samora Correia não há valorização dos terrenos e nem sequer há construção até à ponte numa área de 160 quilómetros quadrados, por ser zona de protecção especial, nota.
E aponta a ilegalidade da suspensão de um decreto por um despacho. O fiscalista Saldanha Sanches, da Universidade de Lisboa, atira: "não há qualquer saída - os despachos são ilegais e a lei deveria ter sido revogada por outra". O administrativista Vieira de Andrade, da Universidade de Coimbra, admite que certas operações poderiam ser suspensas pelo prazo razoável para o rever. "Nove anos equivale à suspensão da lei na prática".

02/12/2008

A luta dos professores



Os professores fazem hoje uma greve nacional sob o lema "Vamos avaliar o Ministério de Educação fechando as escolas". A expectativa é que seja a maior e mais participada greve de professores de sempre. Sindicatos e movimentos divulgaram apelos para que a greve seja activa, e inúmeras concentrações estão a ser convocadas para a frente das escolas e para praças públicas.
Segundo a Fenprof, já são mais de 370 as escolas/agrupamentos que suspenderam o processo de avaliação de desempenho que o governo quer impor. As simplificações de última hora anunciadas pelo governo não tiveram qualquer efeito na mobilização docente, com os professores a argumentar que o processo está errado no seu todo e que só a suspensão da sua aplicação poderá permitir o reinício das negociações.
Para a Fenprof, o ME e o governo "não souberam interpretar, como deveriam, as evidências da indignação dos professores, como não souberam ou não quiseram escutar as suas propostas. Hoje o conflito está muito mais agravado e obriga o governo a criar condições para que se construa uma solução de consenso que tenha, como pressuposto, a suspensão do modelo de avaliação. A greve de 3 de Dezembro será um grande momento de protesto e confirmação das posições dos professores."
Após a greve, nos dias 4 e 5, os sindicatos organizam uma vigília dia e noite em frente ao Ministério da Educação. E no dia 6, os movimentos organizam em Leiria um encontro das escolas em luta.

01/12/2008

Subida do nível do mar é mais rápida que o previsto, avisa WWF



Mesmo um aumento médio da temperatura inferior a 2ºC pode ser o suficiente para despoletar a perda do gelo do Ártico e da Gronelândia, causando a subida do nível do mar em vários metros, revela um relatório publicado hoje pela WWF. Uma semana antes da reunião climática da ONU em Poznan, Polónia, a WWF analisa os mais recentes dados científicos e chega à conclusão que a Humanidade está perto da última oportunidade para manter o aquecimento do Planeta abaixo do nível perigoso de 2ºC.
"A ciência mais recente confirma que estamos agora a assistir a consequências devastadoras do aquecimento global que apenas eram esperadas décadas à frente", afirmou Kim Carstensen da WWF.
"O derretimento mais recente no Ártico e Gronelância pode despoletar efeitos de feed-back que tornam as alterações do clima perigosas, acelerando o aquecimento mais que o previsto", disse.
"Os responsáveis políticos não podem arriscar perder uma segunda oportunidade no desenho de estratégias para enfrentar estes avisos urgentes da natureza.
O Planeta está agora a enfrentar um nova fase de alterações, aumentando as dificuldades da adaptação e mesmo a impossibilidade de reversão daqui a pouco tempo.
Os governos em Poznan devem acordar num pico e redução das emissões bem antes de 2020 para dar às pessoas esperança razoável de que as alterações do clima podem ainda ser contidas em limites que previnem o pior.
Além de debates construtivos em Poznan precisamos de ver sinais para a acção imediata",
referiu.
A capacidade de armazenamento de CO2 dos oceanos e da superfície terrestre - os reservatórios naturais do Planeta - têm decrescido em 5% nos últimos 50 anos. Ao mesmo tempo, as emissões de CO2 provenientes do combustíveis fósseis têm aumentado - quatro vezes mais rápido nesta década que na anterior. "Nós estamos num ponto em que o nosso sistema climático está a ficar fora de controlo. Um único ano é o que nos resta para chegar a acordo sobre um novo tratado global que possa proteger o clima, mas as conversações da ONU do próximo ano em Copenhaga apenas poderão ter como resultado este tratado se da reunião de Poznan resultar uma forte negociação", disse.
Fonte: WWF

28/11/2008

QUEM NOS DEFENDE ?

A Câmara de Póvoa do Varzim cobra 81 cêntimos para tratar cada metro cúbico de resíduos, um valor que a torna na mais cara do país para cada munícipe nesta matéria.
"Praticamos o preço real e não andamos a enganar os munícipes", disse à Lusa Manuel Angélico, vereador do Ambiente na Câmara da Póvoa de Varzim.
De acordo com os números indicados pelo IRAR - Instituto Regulador de Água e Resíduos, o município da Póvoa é o que cobra, em todo o país, o preço mais elevado pela recolha e tratamento de resíduos sólidos.
Aliás, o preço cobrado pela autarquia é já de 0,81 euros por metro cúbico em vez dos 0,78 euros que ainda constam na tabela do Irar.
"Não sei como fazem os outros municípios mas, o orçamento autárquico da Póvoa ainda suporta 40 por cento das despesas com os resíduos", frisou Manuel Angélico.
O lixo é recolhido em 35 mil habitações poveiras e é transportado para a Lipor - Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto.
É para as instalações da Lipor que os concelhos do Porto, Valongo, Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos e Vila do Conde enviam os resíduos, embora nenhuma destas autarquias cobre aos munícipes o mesmo valor pelo tratamento do lixo.
Com 55 mil habitantes, a Póvoa tem apenas 35 mil habitações onde é feita a recolha de resíduos sólidos.
Em 1991, a produção de resíduos, no concelho da Póvoa, era de 850 gramas por dia, por habitante mas, 14 anos depois, cada munícipe produzia 1,5 quilos de lixo por dia.
"Defendemos a rápida entrada em vigor de uma tabela de preços única para todo o país", referiu o vereador Manuel Angélico.
"Há câmaras que estão a suportar estas despesas e a poupar os habitantes. Na Póvoa, preferimos ser honestos com as pessoas", finalizou.
Os preços praticados pelo fornecimento de água, saneamento ou resíduos sólidos têm variações muito grandes consoante a política de cada autarquia.
No caso da água, por exemplo, as tarifas oscilam entre os 0.16 euros por metro cúbico de água em Penedono ou 1,86 em São João da Madeira , pelo mesmo consumo
Cabe as câmaras municipais definirem os custos destes serviços e cada autarquia cobra aos munícipes o valor que considera adequado, invocando para isso factores distintos, que vão desde a população envelhecida, no caso de Penedono, ou a junção de água e saneamento na mesma factura, como no caso de São João da Madeira.
O tratamento de resíduos também pode implicar custos diferentes de concelho para concelho, com um habitante da Póvoa de Varzim a pagar 0,78 euros por metro cúbico e um de Penacova a gastar apenas 0,05 euros pelo mesmo serviço.
Estes são alguns dos dados que se podem extrair da análise da despesa mínima para o utilizador doméstico em 308 municípios analisados no "Relatório Anual do Sector de Águas e Resíduos em Portugal - 2007", do Instituto Regulador da Água e Resíduos.
Os preços praticados são da responsabilidade da autarquia que, dentro da sua esfera de autonomia, estabelece as tarifas que entende, dentro dos limites legais.
Em muitos casos, a opção é por reduzir o impacto junto das populações, minimizando ao máximo o preço mas também criando problemas de gestão dos sistemas.
Noutros, as autarquias recorrem a tarifas mais elevadas que penalizam os munícipes mas garantem a sustentabilidade dos modelos de fornecimento de serviços.

22/11/2008

UMA VERGONHA


Já todos nós sabemos da forma descarada e sem vergonha como alguns dos nossos politicos usam e abusam dos meios de comunicação social.

Já todos sabemos que alguns orgãos de comunicação social se vendem por um" prato de lentilhas". Agora aquilo que se passa em Vila do Conde e mais concretamente com o Jornal de Vila do Conde, ultrapassa as raias do razoável. E mais grave ainda...ONDE PÁRA O ORGÃO DE FISCALIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL ?


Diz o Jornal de Vila do Conde no seu nº 1442 de 20 de Novembro:

VEREADORA DO PSD CONCORDOU COM O ENCERRAMENTO DA URGÊNCIA


Depois o Jornal Oficial Vilacondense, limita-se a repetir a voz do dono...ou seja mais do mesmo, mas vergonhosamente não equaciona sequer aquilo que Mário de Almeida já tinha dito sobre o encerramento da Urgencia Vilacondense; Já sei que vão dizer que bla bla bla, mas o exemplo socialista já tem seguidores:

Aeroporto na margem sul Jamais

A saúde dos bancos portugueses está bem

Portugal não vai sofrer com a crise

são estadistas deste tipo que levam o barco ao fundo

Esqueceram-se foi de dizer que os Bufos como a enfermeira chefe do Centro Hospitalar de Vila do Conde e Póvoa de Varzim, andam por aí...e vão bufando ao chefe para se manterem nos lugares que ocupam

Há...já me esquecia...DÃO-SE ALVISSERAS A QUEM DESCOBRIR UMA CRITICA AO PODER SOCIALISTA VILACONDENSE NO " FOLHA DE COUVE "

Transportadoras querem que Governo trave «especulação» das gasolineiras




A Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas, que este sábado reuniu com os associados em Ílhavo, quer que o Governo intervenha para obrigar as gasolineiras a reflectir no gasóleo a descida do petróleo.
«Existe uma especulação escandalosa por parte das gasolineiras, que mantêm o gasóleo a 1,14 euros, 12 cêntimos acima do que deviam, já que o barril de Brent está a 46 dólares e estão com isso a ganhar milhões», disse à Lusa António Lóios, daquela associação, no final da reunião.
O dirigente associativo salienta que as empresas do sector estão, por essa via, a perder competitividade com congéneres europeias, nomeadamente de Espanha.
«Não faz sentido e o governo tem de obrigar as gasolineiras a reflectir no preço do produto final as oscilações do preço do petróleo também quando ele desce. Essa é uma luta que levaremos até à exaustão», afirmou.
Para a associação das empresas transportadoras, falta uma entidade reguladora para os combustíveis, à semelhança do que já acontece com o mercado da electricidade, para evitar «práticas especulativas das gasolineiras e obrigá-las a respeitar os contribuintes e cidadãos».
Segundo António Lóios, «o governo prometeu discutir em breve essa matéria com a Associação e mostra-se sensível à necessidade do mercado dos combustíveis ser também regulado».

16/11/2008

Estará a PIDE de volta ?




Na última A.M. de Vila do Conde, o PSD apresentou um documento em que criticava o fecho da urgência do hospital, agora que com o fim das obras na urgência do hospital da Póvoa já foram concluídas e inauguradas pela ministra. Mas o tom era mais no sentido de culpabilizar o presidente da câmara e sobretudo o de sublinhar a sua incoerência e falta de palavra, pois tinha afirmado que se oporia sempre ao fecho.
O PS tinha outro documento sobre a urgência de cariz antagónico, defendendo que o Mário Almeida tinha mantido a urgência, embora lamentasse que o número de utentes tenha diminuído drásticamente, abrindo assim a porta ao seu fecho, pois se torna cada vez mais difícil justificar e defender a sua manutenção. CDU por seu lado, tinha outra moção em que se defendia a defesa da manutenção da urgência.
Lembro que o acordo de entendimento entre a câmara e o antigo e presente ministro(a) da saúde, foi o de adiar o fecho até essas obras que aumentaria as condições de atendimento do hospital da Póvoa, mantendo-se à noite, uma ambulância com suporte vital de vida.
Esclareça-se também que a posição do Bloco de Esquerda é a de que as consultas que existem no hospital, na chamada urgência, não são de urgência, mas sim de clínica geral.
Servem/serviam para atender casos agudos de doença e eventualmente encaminhavam os casos que necessitavam de cuidados especializados e urgentes para outros hospitais, para a Póvoa, Pedro Hispano ou para o S. João. Toda a gente o sabe. Não tem meios de apoio ao diagnóstico, designadamente de imagiologia (radiografia, TAC, etc.). Um serviço médico de urgência está tipificado, quanto à especialidade dos profissionais que a integram, os meios de diagnóstico e de intervenção que tem disponíveis, etc.
Para o Bloco de esquerda de Vila do Conde, não se trata assim do fecho de uma urgência, mas de uma consulta nocturna, de clínica geral de casos agudos, funcionando como triagem e encaminhamento para outros serviços médicos, o centro de saúde ou urgências de outros hospitais com esse serviço.
Mas quanto ao que se passou.
O documento do PSD foi discutido, o PS foi lá defender que não há fecho, que aquilo é uma urgência e que como diminuiu muito a procura, pois as pessoas ao longo deste tempo, verificaram que o hospital da Póvoa tem mais e melhores recursos, e que nos casos mais agudos e graves, a ambulância os levava para lá, passaram a ir para lá directamente, pois a distância é irrisória (3km) e irrelevante quando se trata de questões de saúde. Mais tempo leva a espera para ser atendido e diagnosticado no hospital de Vila do Conde, para finalmente, se for grave, ser levado para a Póvoa, na presunção de que a ambulância não está para fora, para um outro serviço.
O PSD, o CDS e a CDU, exploraram demagogicamente a velha rivalidade com os poveiros, e evidenciaram a sua mais bacoca visão paroquial, coisa que acusam muitas vezes o PS, defendendo a todo o custo a permanência de uma urgência em Vila do Conde e defenderam que o PS, o presidente, tinha mentido aos vilacondenses, quando afirmou em A.M. anterior, que nunca aceitaria o fecho da urgência. O PSD, o CDS e a CDU, estribaram-se nisso, para tentar atacar a credibilidade do Mário Almida, e só isso, no meu entender, faz com que eles defendam todos, que aquilo é uma urgência. Todos, os partidos, com excepção do Bloco de Esquerda, a concordância da deputada do CDS que é médica, a Margarida Salgueiro. que desafiou os dois médicos do PS presentes, o vereador Pacheco e o Vitor, deputado, a intervirem e defenderem a posição do PS que a consulta do hospital era uma urgência. Eles mantiveram-se calados .
A discussão foi feita, houve votação dos documentos do PSD e PS em alternativa e a moção da CDU à parte. O Bloco votou a favor da do PSD (pela quebra da palavra dada) e abstiveram-se na da CDU porque defendia a manutenção da urgência. Os Bloquistas como defendem que não é uma urgência, não podem em coerência, defender uma coisa que não é o que afirma ser, e só por isso se abstiveram com declaração de voto. Terminada a votação e a declaração de voto, o presidente da câmara, pediu a palavra para intervir e na sua opinião dar um esclarecimento sobre o assunto que acabava de ser encerrado. O deputado Armando Herculano, fez uma interpelação à mesa, no sentido de saber com que moldura legal, lei ou artigo do regimento, era dada a palavra ao presidente da câmara, para falar sobre o ponto da urgência, uma vez que o ponto estava encerrado. Ora foi, como de costume, levantado um grande bruá, pois que, bem sabendo o presidente da mesa, advogado e deputado à A.R., o presidente da câmara não podia falar sobre o ponto encerrado, mas também e como sempre, não tem coragem de usar a sua (falta) autoridade para impedir o Mário Almeida de fazer o que bem lhe apetece na A.M..Mia uma insistencia por parte do bloquistar uma e outra vez, desafiá-lo a responder à pergunta que lhe tinha sido feita, e noutra interpelação sucessiva, sem que ele respondesse, desafiá-lo a apresentar em próxima sessão da A.M., a fundamentação que autoriza o presidente ou algum deputado a fazâ-lo naquelas circunstancias.

Aí, as coisas precipitaram-se, o presidente da mesa disse que o bloquista não era deputado, que só estava lá porque estava a substituir, que em boa verdade ele é que o tinha deixado permanecer na A.M., que não tinha sido eleito... uma coisa indescritível de incompetência. Estava o deputado bloquista no púlpito a intervir e a dialogar com ele, quando a bancada PS entra em desespero e para meu espanto e pela primeira vez também os vereadores do PS, fazem uma algazarra de protestos e de vaias, entre eles o médico-vereador Pacheco. Perante algumas questões colocadas perguntou se tinha pedido autorização ao sr. Presidente da Câmara para falar (ele não deixa os vereadores falar, nunca deixou em mais de 30 anos) e disse que tinha apreciado a sua intervenção antes, quando estávam a discutir os cuidados de saúde e o fecho da urgência, até tinha feito um apelo nesse sentido, mas que ele, nessa altura, quando a sua opinião era relevante por ser médico, tinha-se remetido ao silêncio e mantido a ideia que a consulta nocturna era um serviço de urrgência, como defende o PS. Eles exasperaram-se ainda mais, o tom subiu e até surgiram insultos. Como de costume e sempre, quem resolve estas situações é o presidente da câmara, através de sinais e ordens directas que dá para a mesa, coisa que o Bloco de Esquerda de Vila do Conde tem vindo a denunciar. Ele abdicou de fazer o esclarecimento, aliviando o presidente da mesa que não sabia o que fazer. Deve esclarecer-se o contexto desta A.M., que começou com uma proposta de destituição da Mesa apresentada pela CDU, com argumentação legalista e formal, mas à qual os bloquistas acrescentaram argumentação política, acusando de novo a mesa ser politico-dependente do executivo. Mas o que se passou na A.M. tem relação com esta coisa agora da delação 'oficial' ?

Tem. É que seio-o agora, o esclarecimento que o presidente da câmara queria dar, era a apresentação na A.M. da denúncia da chefe dos enfermeiros do Centro Hospitalar de Vila do Conde e Póvoa de Varzim, com afirmações da enfermeira Marisa Postiga, vereadora pelo PSD, presente na A.M.. Era este o número que o PS tinha para apresentar neste ponto, e que a interpelação do bloco inviabilizou sem o saber. Daía a sua exasperação. A A.M. continuou e o Mário de Almeida preparava-se para voltar à carga com a carta-delação, no ponto de esclarecimentos sobre a activiadde municipal, mas como a assembleia, com 15 pontos, se extendeu até depois das 3 da madrugada, nessa altura a visada na carta, a vereadora-enfermeira do PSD, não estava presente e tinha ido para casa. O que inviabilizou igualmente a abordagem, pois não se poderia defender. Esta interpelação que já repeti outras vezes, tem como objectivo impedir o presidente da câmara intervir, comentando, as decisões e intervenções dos deputados municipais, numa altura em que estes já não o podem rebater, pois o ponto acabou. Até à entrada do bloco na A.M. era uma prática usual. Foi assim que, impedido de apresentar na A.M. a denúncia, esta aparece na reunião da câmara, pela mão do presidente onde a maioria PS não tem os constrangimentos do Bloco. Mas o inacreditável é que foi a própria câmara que enviou a carta-denúncia ao PSD, tal é a naturalidade com que esta gente faz esta coisa. Quando vi a notícia no jornal Público, perguntei ao líder do PSD se a carta existia, pois não acreditava que fosse possível colocar assim, em papel timbrado, tipo informação de serviço da PIDE, a transcrição de uma conversa durante um período de pausa no trabalho, num almoço entre colegas. A resposta foi a de que, a apresentação do documento por parte do presidente estava agendado na Ordem de Trabalhos da Câmara, e foi nessa sequência que o líder do PSD solicitou o documento que lhe foi prontamente remetido. Assim mesmo.Inacreditável.E dizem-nos muitos, que só na Madeira é que a democracia está em perigo, e que é uma excepção. Só para os distraídos..É por estas e por outras que não podem os cidadãos andarem descansados, e têm de cada vez mais assumirem uma atitude mais crítica, vigilante e activa.

18/10/2008

COM PAPAS E BOLOS SE ENGANAM... OS TOLOS



Hoje estamos a 18 de Outubro.

Faz amanhã 5 – CINCO – meses que a tal operação conjunta levado a cabo pelo Conselho Nacional Anti-dopagem, colado às brigadas destacadas pela Direcção Central de Investigação da Corrupção e da Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF) da Polícia Judiciária (PJ), munidas, para tal, com uma dúzia de mandados de busca assinados por uma juíza de Lisboa, entraram em casa de um grupo de pessoas ligadas ao Cycling Clube da Póvoa – lamento usar o nome do clube, que todos perceberão nada ter a ver com isto, mas já não faz sentido designar a equipa pelo nome que lhes davam os patrocinadores -, operação essa, da qual AINDA HOJE ESTAMOS À ESPERA DOS RESULTADOS.

Cinco meses depois… NADA!

Nada…É a enésima vez que trago aqui este assunto. Mantenho os mesmos argumentos de sempre, a começar pela firme certeza da ilegalidade de uma instituição – o CNAD – ter tido acesso a coisas que jamais teria podido observar, não fora terem os seus elementos ido atrás de uma brigada da PJ com mandados de busca domiciliária, e não só, porque várias das viaturas da equipa também foram revistadas e nelas arrestados documentos e produtos que, ressalvo, ainda hoje estamos para saber o que seriam. Medicamentos proíbidos, introduzidos ilegalmente no País? Para posterior venda (tráfico)? Só isso justificaria a intervenção da DCICCEF da PJ que, como é bom de ver, não é exactamente o departamento treinado para procurar saquetas de sangue ou máquinas de medição do hematócrito. A Polícia de Segurança Pública, ou a Guarda Nacional Republicana, que até tem uma Brigada Fiscal, teriam, é para mim mais do que óbvio, autoridade para fazer aquela… rusga. E os mandados de busca também são concedidos a estas duas instituições. Da PJ, nomeadamente da DCICCEF, o que todos estamos à espera é que, tendo encontrado material passível de constituir prova de que houve Corrupção e/ou Crime Económico ou Financeiro (explicando: contrabando, fuga aos impostos), o tivesse já passado para o Ministério Público que é quem pode lavrar acusação. Porque é que isso não aconteceu? Se calhar não encontraram nada que coubesse nas suas competências. É o mais óbvio, não? Passaram cinco meses. Tout-court, 150 dias. Encontraram, muito provavelmente, em casa do Pedro Cardoso um tal… betamethasone. Mas o Pedro tinha com ele a receita e a justificação médica para o uso do medicamento que contém aquele produto. Ora se tinha receita – a justificação médica não interessaria ao DCICCEF – provava que não era contrabando. Tinha a receita, fora comprado numa farmácia, tinha-lhe sido cobrado o Imposto sobre o Valor Acrescentado na percentagem legal…Eu faço ideia a cara dos homens da PJ quando perceberam que a operação fora um flop. O que, quando lhes foi dada a oportunidade de falarem, todos os que responderam explicaram. Não foi encontrado nada que, por parte da PJ, pudesse justificar a operação.E eu também já aqui o disse, mas reafirmo-o, o que aconteceu e está atravessado na garganta de muito boa gente, é que, à boleia da PJ, os médicos e inspectores do Conselho Nacional Anti-dopagem viram e tiveram acesso a coisas que jamais poderiam ver nem ter acesso. O caso é… e podem, legalmente, usar isso? Os cinco meses que entretanto passaram explicam a interrogação. Não explicam? Neste meio tempo, porque, malgrado a escassez de perguntas, algumas lá foram sendo feitas, uma das explicações da Federação Portuguesa de Ciclismo – não do Conselho Nacional Anti-dopagem, mas da FPC – foi a de que alguns produtos arrestados tiveram que ir para laboratórios estrangeiros para serem analisados. O CNAD nunca diria isto, até porque detém autoridade sobre o Laboratório de Análises e Dopagem, instituição das poucas que, na Europa, é reconhecida como apta à realização desses testes por todas as autoridades mundiais da luta contra a dopagem no desporto. Seria como que confessar que, afinal, não é tão capaz quanto isso…E voltamos atrás. Foi a DCICCEF – que só tem que investigar, reunir provas e entregá-las ao Magistério Público para que este avance com processos-crime – que mandou esses tais produtos a analisar em laboratórios estrangeiros? Foi o Magistério Público? A propósito de quê? Cometeu o Magistério Público o erro, grosseiro, de entregar a terceiros elementos de prova?Ainda assim, dando tudo isto de barato… em CINCO meses nenhum laboratório – houve tempo para esses produtos… estranhos passarem por todos os laboratórios europeus – chegou a nenhuma conclusão? A pergunta óbvia é… então porque é que não sabemos qual foi a decisão? Se há culpados a ser castigados… porque não o foram ainda? Se não há, qual a autoridade moral, por parte da Federação Portuguesa de Ciclismo para manter suspensos corredores, director-desportivo, massagista, médico e até o ex-presidente do clube? Já agora, o doutor Artur Lopes, membro do CNAD e que, nessas funções, confessamente já sabe os resultados dos controlos feitos na altura a vários Corredores, ainda não teve tempo para os comunicar ao doutor Artur Lopes, presidente da FPC? Por isso eu aqui venho, regularmente, dizer que não há nada contra a maioria desses homens. Nada, proveniente das buscas domiciliárias de 19 de Maio passado. E a bota está difícil de descalçar.… situação, para os lados da FPC e do CNAD está feia. Mas como são dirigidos por pessoas a quem não nego inteligência e desenvoltura, eis que, no final desta semana nos são oferecidos, numa clara manobra de diversão para esconder o flop da operação de 19 de Maio, dois culpados. Dois Corredores da equipa em causa. Curiosamente, um deles nem sequer estava no bloco de suspensos desde há cinco meses. Mas as histórias são de tal forma inverosímeis que me espantam como conseguiram vendê-las.J á escrevi aqui sobre as duas. Comecemos pela do Pedro Cardoso.

Na véspera da operação de 19 de Maio, a 18, faz hoje cinco meses, o Pedro Cardoso conquistou o Grande Prémio Internacional Rota dos Móveis e, como vencedor foi ao controlo anti-doping. No acto, apresentou ao inspector delegado o documento que justificava o uso de determinado medicamento para fins terapêuticos, o que aquele aceitou, porque é norma assim acontecer. A prova de que esse documento existe, é que ele faz parte do material arrestado pela PJ em casa do Pedro no dia seguinte. Está na posse da Polícia Judiciária, portanto não foi inventado, não foi manipulado, não foi nada. Estava com o Pedro, entregou-o ao inspector que controlava… o controlo no GPI Rota dos Móveis; depois levou-o para casa e na manhã seguinte a PJ arrestou-o, como fez com outros documentos. Passados poucos dias surgia a notícia de que o Pedro seria castigado porque não comunicara ao CNAD a utilização do referido medicamente. Aproveito para explicar que, na maioria das situações, o simples envio, por fax, para o CNAD, da justificação médica libera automaticamente o Corredor da possibilidade de qualquer sanção disciplinar. E seguiu-se a rábula de que no CNAD tinham, de facto – nunca o negaram –, recebido no dia e hora constantes do comprovativo que o aparelho de fax nos dá, em formato de relatório, e que estava na posse do Pedro, mas que as folhas tinham chegado… em branco. Porquê? Falta de tinta no fax receptor? Engano ao introduzir o documento no fax emissor (colocar as folhas ao contrário)? Quem enviou o documento garante-me que não se enganou. E porque é que no CNAD tentaram depois chegar a esse documento, solicitando-o à Polícia Judiciária? Como passíveis provas arrestadas pela polícia não são para ceder a terceiros – como é que os tais medicamentos estranhos foram parar aos tais laboratórios estrangeiros? – aquela negou a cedência. Mas isto aconteceu há mais de três meses O CNAD recebeu, no dia 3 de Maio de 2008 … qualquer coisa. Não sabe o que foi porque as folhas chegaram… em branco! Contudo, confrontado o Corredor com esse… facto, confirmaram que as tais folhas em branco tinham a data e hora do documento que o Pedro enviara! E o Pedro no dia 18 de Maio não mostrou umas folhas em branco ao inspector que controlou… o seu controlo, no final do GPI Rota dos Móveis. Claro que não estavam em branco. O homem não as aceitaria. In dubio pro reo, manda o Código Penal, e expressa o princípio jurídico da presunção de inocência. Para a Federação Portuguesa de Ciclismo, usando uma expressão do Jorge Jesus, técnico de futebol… isso é uma treta. E com data de 15 de Outubro sai a Decisão em Processo Disciplinar que castiga o Pedro em um ano de suspensão, mais 2500 euros de multa e ainda a perda do 1.º lugar na referida corrida. E há a história do João Cabreira. Aliás, em relação ao João Cabreira há duas histórias.

O João não era alvo da tal operação de 19 de Maio e por acaso até se encontrava ausente do País, tendo comunicado essa ausência ao CNAD, no âmbito do regulamentado (Etapa 205). Contudo, ao aperceber-se – terá falado com companheiros de equipa – da dimensão da operação, voluntariamente regressou a Portugal e a sua casa, tendo feito questão de ser, também ele, controlado pela brigada do CNAD. Tal como nos outros casos, daí não resultou consequência alguma. Mais tarde, e por mera coincidência, suponho, em vésperas do arranque da Volta a Portugal - da qual a equipa foi afastada - veio a público que o Campeão Nacional era alvo de um Processo Disciplinar por ter faltado a um controlo fora de competição Outra vez, o João comunicara que iria estar ausente do seu domicílio por alguns dias, com início a 26 de Julho de 2008.No dia 25, a equipa participou na Clássica de Villafranca-Ordiziako, no País Basco, na vizinha Espanha e o João fez parte dessa equipa, como um dos sete elementos que não estava preventivamente suspenso.O que é que aconteceu?Tendo viajado no autocarro da equipa, terminada a prova o João regressou à Póvoa de Varzim e só no dia 26 regressou ao País Basco onde ficaria alguns dias a gozar férias, uma vez que já se sabia que a equipa não iria correr mais. Achei, e escrevi-o na altura, estranho que o CNAD se tenha apressado a correr para o País Basco para fazer um controlo fora de competição a um corredor que não tinha mais hipóteses de competir. E se não o escrevi na altura, escrevo-o agora. Havia tal necessidade de encontrar qualquer coisa, fosse o que fosse, que pudesse ser apresentado como… troféu, que as minhas dúvidas em relação à operação de 19 de Maio se desfizeram por completo. Não tinham nada!Achei estranho, dizia, que o CNAD tivesse, apressadamente, enviado uma equipa para controlar o Corredor que já não ia correr mais, mas fiquei agora a saber que, parece que essa tal equipa composta por um médico e por um inspector anti-doping da federação, já estava em Espanha onde teria ido fazer outros controlos. A quem? A outros corredores da mesma equipa que já não tinha provas para correr? Bem... essa equipa não encontrou o João no local que ele indicara. Mais, e isso foi escrito na altura, só encontrara… casas vazias. Tendo pedido informações numa taberna, no local, ninguém lhes soube dizer se tinham ou não visto o João. Logo, a equipa do CNAD tomou como certa que havia sido enganada e que o Corredor tinha fornecido uma morada falsa. Aqui tenho tempo e espaço para compor toda a história. As casas vazias não eram mais do que apartamentos que servem de segunda moradia aos seus proprietários e que, para as rentabilizar, as alugam periodicamente. Calhou estarem todas vazias. E porque é que na alugada pelo João Cabreira ninguém respondeu? Porque, depois de ter chegado, viajando com a equipa, à Póvoa noite dentro, só regressou ao País Basco na tarde seguinte pelo que quando a brigada o foi visitar ele ainda não tinha chegado. Estava em viagem. Escreveu-se, na altura, que só havia casas abandonadas e em ruínas. Também na altura, um colega de equipa do João, espanhol, residente na zona, disponibilizou-se para me enviar fotos do local. Há dias contraiu matrimónio o espanhol António José Garrido e de Portugal foram vários companheiros ao casamento, voltando a ficar instalados nas mesmas casas. Como podem ver nas fotos, onde se vê também a tal taberna. Falta aqui acrescentar duas ou três coisas. Argumenta a equipa do CNAD que, perante a não resposta de ninguém contactou o Corredor por telemóvel não tendo obtido resposta e acaba por ser nessa base que lhe é instaurado o Processo Disciplinar e o João apanha 10 meses de suspensão e uma multa de 2000 euros! Ainda não há muitos anos um Campeão Nacional viu-lhe ser retirado o título por controlo positivo e apanhou seis meses...Alega o João não ter recebido qualquer chamada. Contrapõe o CNAD com facturas detalhadas das chamadas feitas, onde constarão os dois números de telemóvel do Corredor. Por acaso já prescindi das facturas detalhadas mas tenho dúvidas – que qualquer um me poderá esclarecer – de que chamadas não atendidas, logo, não facturadas, surjam na factura.
Mas isto sou eu a dizer.

Facto CINCO meses depois da mega-operação, que deu direito à chamada, por parte da PJ, das televisões para nos mostrarem comprimidos, seringas e uma máquina de medição do hematócrito, o que mantém de pé o caso-Póvoa são dois castigos que nada têm a ver com o 19 de Maio que, é cada vez mais evidente, se tenta fazer cair no esquecimento das pessoas. Na minha terra diz-se que… com papas e bolos se enganam os tolos!


In Veloluso

Governo e direita aprovam "cheque em branco" à banca



No debate parlamentar sobre a proposta do governo de conceder uma garantia de 20 mil milhões de euros para garantir as operações interbancárias em Portugal, Francisco Louçã lembrou que "nunca o estado decidiu uma operação financeira que pode comprometer 5 anos de défice".
Louçã criticou com veemência a proposta apresentada pelo governo, considerando que esta é "a pior das leis aprovadas na Europa" para combater a crise financeira internacional, por não exigir qualquer garantia ou obrigação aos bancos beneficiários. Segundo o deputado bloquista, o governo exige que cada contribuinte português passe um "cheque em branco", no valor de 4.000 euros, para uma mesada à banca, sem se exigirem explicações ou garantias aos bancos beneficiários.
A proposta foi aprovada pelos deputados do PS, do PSD e do PP, com a oposição de todas as forças parlamentares à esquerda do executivo e a abstenção de Manuel Alegre.

03/10/2008

Deputados do PS dividem-se agora quanto à liberdade de voto




A discussão dos projectos de lei que acabam com a discriminação dos homossexuais no casamento esteve no centro da polémica na reunião dos deputados socialistas. A maioria faltou à reunião do grupo parlamentar onde 47 deputados do PS decidiram não dar liberdade de voto aos restantes 74. Manuel Alegre é um dos que não concorda com esta imposição.

"Acho que houve uma votação, mas eu não concordo. Acho que é um erro político", disse o deputado socialista. Na reunião que contou com cerca de 70 presentes, mais de 20 deputados votaram a favor da liberdade de voto nos projectos de lei que permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo. "A maioria, de forma muito expressiva, aprovou a disciplina de voto", disse o líder parlamentar do PS, Alberto Martins. A direcção da bancada abriu uma excepção para que o deputado Pedro Nuno Santos, que "foi o rosto da causa da JS" possa apoiar as propostas do Bloco de Esquerda e dos Verdes no próximo dia 10 de Outubro. Outro deputado socialista, Strecht Ribeiro, já tinha alertado os seus pares sobre qual o verdadeiro sentido do voto da bancada. “Não votaremos contra o casamento entre homossexuais, mas contra o oportunismo político do Bloco de Esquerda”, por apresentar ao parlamento uma proposta com que se comprometeu no seu programa e que, segundo o próprio deputado socialista, virá corrigir "uma inconstitucionalidade por omissão que existe desde 1995". "O PS entende que tem de ser feita ainda uma avaliação política sobre o momento em que esse obstáculo é removido”, declarou Strecht Ribeiro ainda antes da reunião de quinta-feira sobre a disciplina de voto, a que a grande maioria dos seus pares voltou costas

MAIS UM QUE PARTE


A Noticia caía como uma bomba...tinha falecido Artur Azevedo. Tal como o jornal A BOLA conta hoje, o Artur tinha ficado a trabalhar até tarde, na Redacção do Porto, e saiu normalmente, com um até amanhã. Faleceria durante a madrugada. Assim, de repente. Custa muito saber que perdemos mais um amigo. Nos seis anos que lidei mais directamente com ele tornámo-nos amigos e foram várias as vezes que, nos juntamos nas provas de ciclismo. O Artur era o homem-dos-sete-ofícios nas Modalidades, a Norte. Tanto fazia atletismo como hóquei em patins, basquetebol como natação... fez também, várias vezes Ciclismo. Conheci-o numa prova de ciclismo onde ele estava para cobrir o Grande Prémio CTT-Correios que viria a terminar no Parque das Nações. Convivemos também nos Grandes Prémios ABIMOTA, Jornal de Noticias, Volta ao Minho Etc.. O Artur era também colaborador da RTP, fazendo reportagem de atletismo e comentários de natação. Um apaixonado pelo desporto e pelo jornalismo. Partiu, assim, de repente...

Descança em paz Amigo.

01/10/2008

Ex-ministros defendem Lusoponte contra o Estado



Jorge Coelho (PS) e Ferreira do Amaral (PSD), os dois ministros que agora vão defender os interesses da Lusoponte na renegociação do contrato com o Estado sobre as travessias rodoviárias do rio Tejo, são os mesmo que anteriormente negociaram em representação do Estado o contrato de concessão e os acordos de reequilíbrio com a Lusoponte. Para o Tribunal de Contas, a Lusoponte saiu sempre a ganhar.
Avizinham-se novas negociações, por causa da decisão de instalar um tabuleiro rodoviário na terceira travessia do Tejo, a construir entre Chelas e o Barreiro. Neste momento, a Lusoponte tem a exclusividade da exploração das travessias do Tejo a jusante de Vila Franca de Xira, sendo que o actual contrato prevê que seja automaticamente concessionado a ponte Chelas-Barreiro ou, em alternativa, que existam compensações pelo tráfego perdido na Vasco da Gama e 25 de Abril.
Curiosamente, os dois ministros que negociaram em nome do Estado com a Lusoponte, levando o tribunal de contas a pronunciar-se recentemente dizendo que a Lusoponte saiu indevidamente beneficiada em vários aspectos, negoceiam agora em nome da Lusoponte com o Estado.
Ferreira do Amaral, ministro das Obras Públicas do governo de Cavaco Silva, que lançou o concurso público internacional para a construção da Vasco da Gama, e que assinou em 1994 o contrato de concessão com a Lusoponte, é hoje o presidente do conselho de administração da empresa. Já Jorge Coelho, ministro do Equipamento Social de Guterres, que negociou em 2001 um acordo global com a empresa para pôr fim a sucessivos pedidos de reequilíbrio financeiro, é hoje o líder executivo da Mota-Engil, a empresa que é a principal accionista da Lusoponte, com uma posição de 38 por cento. Para compor o ramalhete, o jornal Público revela ainda que quem vai liderar a comissão técnica criada pelo Executivo para decidir estas negociações é Murteira Nabo, actual chairman da Galp, e, ele próprio, anterior ministro do Equipamento Social no primeiro governo de António Guterres.
Até agora, e como detectou o Tribunal de Contas, numa auditoria que arrasou as decisões do Estado e o Acordo Global celebrado com a Lusoponte, a concessionária tem saído sempre a ganhar nas negociações que tem feito com o Estado. Só pelo facto do Estado ter prolongado a concessão 7 anos as perdas foram superiores a mil milhões de euros. Além disso a Lusoponte beneficiou de 250 milhões de euros a mais e 11 anos do prazo de concessão a mais. No final, o Estado acabou por se tornar no mais importante e decisivo financiador da concessão, sem a explorar, com um contrato que permitia transferir, para o Estado, riscos que caberiam, em condições normais, à esfera de responsabilidade da concessionária.

28/09/2008

EIS A VERDADE!



Vou, e porque tem de ser assim, não me competirá a mim desconstruir uma imagem que, abusivamente, foi colada à morte do Bruno Neves, expôpor a verdade. Os que o escreveram que se retractem. Já há Certidão de Óbito oficial e final. O Bruno morreu de, cito: "causa de morte natural". Nada, nos exames feitos post morten, descobriu o que fosse de doping ou coisa do género. Sim, tive acesso à Certidão e Óbito! Agora corem de vergonha os que, sem o dizerem, porque não tiveram lata para tanto, não perderam a oportunidade de, sibilamente, tentar "vender-nos" a nós, simples aficionados, que ali havia "marosca". Não havia. Seguir-se-ão os processos judiciais contra quem atentou, directa ou indirectamente, contra a memória e o bom nome do Bruno Neves. Poderão querer calá-lo. Não duvido que haja corajosos a esse ponto. Mas eu digo aqui, uma das primeiras pessoas informadas do último e definitivo relatório da autópsia foi o presidente da FPC, o doutor Artur Moreira Lopes.
O meu caríssimo Bruno faleceu por insuficiência respiratória aguda, consecutiva a arritmia cardíaca. E os dois exames toxicológicos a que o seu sangue foi submetido, post morten, revelam ZERO, em relação a alcool, drogas sociais, esteróides anabolizantes ou efedrina. Morreu porque - se eu acreditasse nisso dizia-o, mas, francamente e como todos sabem, não acredito... - esse deus em que acreditam, quis. Paz à sua alma e, sobretudo, que quem desrespeitou o seu nome, a sua memória, mesmo que de forma dissimulada... pelo menos sinta vergonha na cara. Isto independentemente daquilo que, a nível judicial, a família achar por bem activar.

Até Sempre Amigo.

Texto da autoria de Manuel Madeira

In Veloluso

27/09/2008

Mais uma machadada no SNS


O governo autorizou - ou está a preparar-se para autorizar, a realização do internato médico de especialidade em hospitais privados. Ao que parece, o que está combinado com o Hospital da CUF/Mello Saúde SA, é a formação de especialistas em otorrinolaringologia - uma das especialidades mais carenciadas do SNS e com maiores listas de espera. Para começar, claro!
É uma decisão da maior gravidade para o futuro do SNS, até hoje sempre recusada, apesar das exigências e pressões desenvolvidas nesse sentido pelos principais grupos privados.

O governo do PS tem-se mostrado incapaz de resolver o problema da falta de médicos que se faz sentir no SNS. Pelo contrário, tem deixado a situação agravar-se, sem nada fazer para evitar a fuga de especialistas do SNS para os hospitais privados. Quase mil já deixaram o SNS.

Em consequência, muitos serviços hospitalares atravessam grandes dificuldades de funcionamento, impedidos de manter o volume e a qualidade da assistência que prestam.

A falta de médicos no SNS é uma das principais razões para o aumento das listas de espera - tanto para cirurgia como para uma 1ª consulta, para as dificuldades de acesso às unidades de saúde e para os prolongados tempos de espera nas urgências hospitalares.

Neste contexto, quando é tão flagrante a carência de médicos no SNS, é incompreensível e inaceitável que o governo desvie para o sector privado a formação de especialistas que, como é evidente, depois de formados não vão regressar ao SNS. Especialistas que fazem muita falta no SNS.

Nenhuma razão justifica a "privatização" dos internatos de especialidade. As capacidades formativas dos hospitais do SNS estão longe de estar esgotadas. Os internatos médicos são o "sangue novo" dos serviços hospitalares e das próprias carreiras médicas, são o garante do futuro dos serviços. O SNS precisa de mais especialistas. E para isso precisa de mais internos de especialidade.

A licenciatura de um médico tem um custo significativo para o erário público. É um investimento que o Estado faz para assegurar os serviços públicos de saúde. São os impostos pagos pelos contribuintes que permitem a existência e o funcionamento das faculdades de medicina. A seguir à licenciatura segue-se a especialização. Não é legítimo desperdiçar tanto investimento público para benefício exclusivo dos hospitais privados, particularmente, no momento em que a falta de especialistas é tão aguda.

A "privatização" dos internatos de especialidade só pode ser entendida como uma cedência irresponsável do governo às pretensões dos grandes hospitais privados, cuja sobrevivência depende em grande medida desses especialistas.

É um precedente de consequências gravíssimas para o SNS e que compromete o seu futuro. Com a "privatização" dos internatos de especialidade, vai agravar-se a desorganização dos serviços de saúde e as suas dificuldades em dar resposta às necessidades dos utentes do SNS.

A "privatização dos internatos médicos" é um forte machadada no SNS. E uma generosa benesse para os grandes grupos privados que operam na saúde. Ganham o que não tinham mas de que precisam como "pão para a boca": médicos especialistas. Sem qualquer esforço, nem qualquer investimento.

Mais uma vez pela mão do PS. Porreiro pá....

João Semedo

19/09/2008

QUATRO MESES NÃO É DE MAIS?


E ESTÁ NA HORA DE SE IMPOREM AS CONSEQUÊNCIAS...


Há cento e vinte e dois dias que a Polícia Judiciária, através da sua Direcção Central de Investigação da Corrupção e da Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF) - em Comunicado com a data de 20 de Maio de 2008, e depois, chamando as televisões e os fotojornalistas para a lamentável cena que se banalizou, de mostrar urbi et orbi, toda uma panóplia, seja de facas de mato, de carimbos/selos brancos que chancelam passaportes falsos, ou, mais regularmente, moeda em papel amontoada pelo valor facial, ou então, pacotinhos que todos acreditamos (ou fingimos acreditar) que se trata de droga -, há cento e vinte e dois dias, dizia eu, que a PJ chamou os pés de microfone e os "bate chapas" que não fazem perguntas, para nos mostrar qualquer coisa que, sem que o tenha sido explicitamente dito, deixava no ar a acusação de que uma equipa de Ciclismo estaria envolvida num caso de dopagem generalizada.

NUNCA DISTO SE CONSTITUIU PROVA VÁLIDA.

Poucas horas depois, a Federação Portuguesa de Ciclismo, e ainda hoje - cento e vinte e dois dias depois, estamos à espera de argumentos sustentados em provas concretas - aconselhou as organizações a não convidarem a equipa em questão. Repito, sem rabo de prova concreta que, cento e vinte e dois dias depois ainda não foi apresentada. Ultrapassando - porque o conselho partiu da Direcção, que não em poderes disciplinares - o estatuto de uma instituição que, por muito que vos espante, atropelando os seus próprios estatutos, continua a merecer o de Utilidade Pública. Com todos os benefícios que disso lhe advém. E não houve, nem no Conselho Superior de Desporto, até mesmo na secretaria de Estado (logo, Governo, que é quem, com o dinheiro do contribuinte, suporta estas... "utilidades publicas") quem se tenha dado ao trabalho de questionar o como e o porquê é que a Direcção Executiva de uma federação desportiva ultrapassa as suas competências e aparece a substituir o seu Conselho de Disciplina, numa primeira instância, e depois o Conselho Jurisdicional, derradeira figura estatutária com poderes para isso, não suspendendo, mas "aconselhando" as organizações a não convidarem um equipa que, cento e vinte e dois dias depois daquela palhaçada protagonizada pela PJ, através da sua DCICCEF, e do CNAD - faço questão de vincar que numa operação inapelavelmente ferida de legalidade - porque é que julgam que a coisa caiu no "esquecimento"? - ainda não foi oficialmente pronunciada como, numa primeira fase, suspeita do que quiseram acusá-la... Isto só pode estar a acontecer porque nada têm contra ela. Com força de prova, pelo menos. Cento e vinte e dois dias de nevoeiro, tão cerrado que não houve, até agora, quem tenha tido a coragem editorial de nos contar a verdadeira história. Falo da CS, claro. Porquê? E deixo outra questão no ar. Sabendo - se eu sei todos eles sabem - que não há ponta por onde pegar neste caso que envolve o Póvoa Cycling Club, como é possível não andarem todos corados de vergonha? São cúmplices por auto-demissão de uma obrigação deontológica que é a de informarem claramente quem os vê, quem os ouve ou quem os lê, do "assassinato" desportivo de uma equipa. Peanutts! O grave é que por trás de um nome de uma equipa estão Homens. Homens que são cabeça de família. Homens que estão, uns caricatamente suspensos sem que alguém lhes seja capaz de dizer porque é que estão suspensos, e os que o não estando suspensos, estão impedidos de exercer a sua profissão uma vez que a equipa foi "destruída". Há homens com contratos de trabalho válidos e sobre os quais não pesa qualquer suspeita, muito menos acusação, mas, porque a equipa foi desfeita e os sponsors - logo, quem entrava com o dinheiro para satisfazer os compromissos laborais assumidos com todos, neste impasse, deixaram de meter dinheiro na equipa. Confuso? Nada. Mesmo nada. Tivessem ou não tido uma denúncia, quem assumiu a investigação não foi capaz de fazer prova. Logo, a equipa deveria estar a correr. E não está não porque a PJ o tenha determinado, não compete há três meses porque a Federação Portuguesa de Ciclismo instigou as organizações a não convidá-la. Sob que pretexto? Mistério...É evidente que, em primeira instância terá de ser a FPC a responder em sede própria pela sua tomada de posição. E, como já o disse milhentas vezes, mesmo que - sublinho, mesmo que - a PJ tivesse, no âmbito em que direccionou a investigação, que foi o de presumível importação ilegal de produtos proíbidos e - mas isto mesmo podendo ser a mesma história, já seria um capítulo diferente - eventual transacção, também ilegal dos mesmos. Isto se, provando-se - o que ainda não aconteceu - a primeira parte, se fosse apenas para consumo interno enquadrar-se-ia numa moldura penal de todo diferente da outra hipótese, que seria a da transacção desses mesmos produtos. Dito de uma maneira que todos percebam, é diferente a moldura penal para um indivíduo que seja apanhado com droga para consumo próprio, daquela que enquadrará a figura de tráfico, ou seja, a venda a terceiros. Mas isto já é uma divagação - embora eu saiba que há santas cabecinhas a pensar que o "milagre das rosas" se repetirá e que o escândalo porque todos, babados, esperam, se concretizará mesmo. Eu sempre disse que não. Não! Por isso é ilegal - não só em termos desportivos, mas principalmente no simples texto da Lei - a punição de que foram alvo nove dos elementos da equipa. Mais grave ainda é a inegável obstrução ao direito ao trabalho de que foram vítimas os demais elementos da equipa. E nem a PJ, muito menos a FPC podem estender ad-eternun esta situação só porque acreditam que mais dia menos dias poderão encontrar provas que sustentem os actos já accionados, mormente por parte da FPC. Uma coisa é certa, ninguém - nem dinheiro nenhum - poderá jamais ressarcir a equipa só pelo facto de não ter estado na Volta a Portugal. Já aqui o disse, e volto a dizê-lo - e quem está no olho do furacão sabe bem que eu tenho razão - se contra a PJ, que, afinal de contas, nada fez que impedisse a equipa de correr, esta não poderá vir a reagir, já em relação à FPC e à organização da Volta a Portugal - e porque as Leis do Estado são feitas para proteger o cidadão, tome-mo-lo como figura individual ou coisa colectiva - a equipa da Póvoa pode accionar os mecanismos previstos na Lei, como indemnizações por perdas patrimoniais, acrescidas de inegáveis prejuízos morais e de imagem, tanto colectivamente, pelo lado da equipa (e aqui os sponsors iriam buscar o dinheiro que investiram), como individualmente, por cada um dos seus elementos. E podem - e devem, na minha opinião - accionar de imediato esse direito através de tribunal competente. Agora vem aquilo que nunca passou pela cabeça dos "doutores" que vêm crescendo como cogumelos no meio velocipédico. A causa ficou, acho eu, claramente exposta - o amigo Carneiro pode dar uma ajuda, se eu não estiver totalmente correcto -, e quais poderão ser as consequências?- O desvio, para pagamento das devidas indemnizações, dos dinheiros que a FPC deveria receber do Estado, sendo que compete ao Estado zelar pelos interesses do individuo, o que deixaria a FPC se não na bancarrota, pelo menos privada de generosa fatia do dinheiro que come aos contribuintes; depois, e porque tratando-se de uma federação desportiva, haverá sempre lugar a uma penalização dentro desse quadro que passará, antes de mais, pela perda da figura de Utilidade Pública, com tudo o que isso significa (se não souberem, eu explico)...- O pagamento imediato, ou congelamento e retenção de futuras receitas - para o mesmo fim de indemnizações - em relação às organizações que desrespeitaram o Regulamento Geral Técnico de Corridas da FPC ao não convidarem a equipa em causa, mesmo que tenha sido a... conselho da Direcção da FPC (que, repito, não tem poderes para tal)... mais, em termos desportivos, o impedimento dessas organizações realizarem por período a determinar por um tribunal competente, corridas oficiais...
In Veloluso