13/01/2008

MAIO MÊS DE HUMBERTO...


Segunda a noticia veinculada pelo Diário de Noticias, Maio é o mês das Comemorações e Homenagem a Humberto Delgado.

Uma biografia, uma série televisiva, um colóquio presidido pelo ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, e uma grande homenagem no Porto, a cidade onde teve o maior banho de multidão da sua vida: Humberto Delgado será alvo de uma série de homenagens póstumas no mês de Maio. Que foi o mês em que lançou a sua candidatura presidencial, em 1958, quando atirou a frase que fez tremer Salazar: "Obviamente, demito-o."

O ciclo de homenagens, promovido pela Fundação Humberto Delgado em conjunto com diversos organismos públicos e privados, começa a 10 de Maio com a exibição na RTP de um documentário realizado pelo cineasta Lauro António. O documentário, ainda em elaboração, recorda os agitados meses de Maio e Junho de 1958, quando a candidatura de Delgado constituiu o maior abalo ao regime salazarista. A 13 de Maio, será lançada uma biografia do "general sem medo", redigida pelo historiador Frederico Delgado Rosa, neto de Delgado. E no dia 14 será a vez de o Porto se associar a este programa de comemorações com uma homenagem promovida pelo Governo Civil. Precisamente quando se assinalar meio século após a histórica visita do general à Cidade Invicta, no âmbito da campanha presidencial, em que congregou uma multidão avaliada em mais de 300 mil apoiantes. Um claro apoio popular que só não se repetiu no dia seguinte por intervenção da polícia política. Lauro António recolheu imagens no valioso arquivo da televisão pública (muitas delas nunca exibidas na altura) e registou declarações inéditas de diversas personalidades dos mais diversos quadrantes. Incluindo o ex-Presidente da República Ramalho Eanes, os militares de Abril Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Lourenço e Pezarat Correia, o historiador Fernando Rosas e Marcelo Rebelo de Sousa. Personalidadades que conheceram bem o general, como Maria Barroso, Manuel Serra e João Varela Gomes também deixam o seu testemunho neste documentário, que terá cerca de uma hora. "Existe um depoimento particularmente interessante, prestado pelo professor António Taborda, que esteve numa mesa de voto da Covilhã e relata como ali se processou uma fraude eleitoral, aliás à semelhança do que aconteceu no País inteiro", disse Lauro António ao DN. O cineasta, que tinha 15 anos quando Delgado se candidatou, considera que 1958 foi "uma data-chave para o despertar da consciência de uma geração de portugueses". É essa também a opinião do actor Manuel Cavaco, que na altura era adolescente e ficou marcado pelos acontecimentos - nomeadamente pela carga policial contra um comício do general realizado no Liceu Camões. Um episódio que também lembra no documentário, intitulado Obviamente, Demito-o. O titular da pasta da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, associa-se às comemorações do cinquentenário da candidatura presidencial participando num colóquio intitulado Eleições em Tempo de Ditadura, a realizar também em Maio no Instituto Superior de Ciências de Trabalho e da Empresa, em Lisboa, em cooperação com a Fundação Humberto Delgado. "Foram tempos decisivos", considera Lauro António, que passou largas semanas a pesquisar o arquivo da RTP. As emissões regulares da estação pública tinham começado um ano antes, mas não há registos filmados da célebre conferência de imprensa, no desaparecido café Chave d'Ouro, em que Delgado admitiu pôr fim à carreira política de Salazar. Em compensação, não faltam imagens do próprio dia da eleição, em 8 de Junho de 1958. "Vendo essas imagens, hoje em dia, percebe-se muito bem como esse escrutínio foi manipulado pelo regime", afirma o cineasta de Manhã Submersa.

1 comentário:

rouxinol de Bernardim disse...

O general Delgado merece toda a solidariedade do povo português tanto mais que tem sido vexado de forma ignóbil por alguns saudosistas que não param de vilipendiar o seu nome.

Até o saudoso Alexandre Pinheiro Torres no seu livro «A Quarta Invasão Francesa», embora obra de ficção, dá a entender que ele não foi morto pela Pide. Ainda não havia a confissão de Rosa Casaco (anos mais tarde). Baseou-se no testemunho de alguns ex-agentes com quem conversava amiúde.

O regime continua a abastardar-se. Era bom que o exemplo do general despertasse as consciências para o que actualmente se passa. A vergonha na justiça, na saúde, na economia, na praxis moral dos políticos. Não há censura ... mas há tribunais vendidos aos tenentes do poder!