
Vítor Rodrigues deu este domingo uma enorme demonstração de classe e de brio profissional ao conseguir o segundo lugar na derradeira etapa do GP de Portugal, chegando à meta com vantagem suficiente para tirar a camisola amarela ao francês Anthony Roux. A etapa, 139,2 quilómetros entre Felgueiras e a Santa Quitéria, foi conquistada pelo estónio Rein Taaramae, que já ontem fora o melhor. Taaramae precisou de 3h45m02s para concluir a tirada, o que equivale a uma média de 37,115 km/h.
Depois de ontem ter cedido o primeiro lugar a Roux, a equipa nacional saiu para a etapa-rainha do GP de Portugal com coragem. O comando do pelotão foi desde cedo assumido pelos corredores lusos, que anularam a primeira escapada do dia e que endureceram a corrida o suficiente para que, na dificílima subida de primeira categoria para o Monte do Viso, os grandes rivais não conseguissem acompanhar a pedalada que então seria imposta por Vítor Rodrigues.
O plano era perfeito e a sua execução não desiludiu. Na ascensão para o Viso, o campeão nacional de sub-23 arrancou e com ele foi o estónio Rein Taaramae. O ciclista da equipa ProTour Cofidis conseguiu adiantar-se, mas estava suficientemente atrasado na Geral para que não constituísse um risco para os interesses nacionais. A situação de corrida, depois da passagem no Viso, estava desenhada da seguinte forma: Rein Taaramae na frente, Vítor Rodrigues sozinho na perseguição e o camisola amarela, alguns segundos mais atrás, escoltado no seio do primeiro pelotão.
Ainda faltavam 24 quilómetros para a meta e as condições meteorológicas eram adversas para quem seguia sozinho. O forte vento prejudicava Taaramae e Rodrigues em relação a quem vinha na perseguição. Para complicar mais a situação, o ciclista português teve um furo que lhe fez perder algum tempo.
A motivação do corredor nacional era, no entanto, enorme. Mesmo com o vento como adversário e com o percalço mecânico, o natural de Oliveira de Azeméis foi ganhando terreno face ao magnífico rolador que seguia na sua frente e também – e mais importante – em relação a Anthony Roux. Nas ascensão final para o alto de Santa Quitéria, Vítor Rodrigues quase alcançou o vencedor da etapa, terminando apenas 11 segundos após a chegada de Taaramae. Anthony Roux concluiu a jornada na sexta posição, a 59 segundos do estónio. Estava consumada a vitória de Vítor Rodrigues e de Portugal.
O GP de Portugal é a primeira das sete provas que compõem a Taça das Nações de Sub-23. A classificação da Taça faz-se por países e os pontos de cada nação são atribuídos pela posição alcançada pelo melhor elemento da equipa em cada uma das provas pontuáveis. Assim, o primeiro lugar de Rodrigues no GP de Portugal garantiu ao nosso país a liderança da Taça das Nações. No final da temporada, as cinco selecções com mais pontos somados na Taça das Nações têm direito a juntar mais um elemento ao colectivo que convoquem para o Campeonato do Mundo.
Declarações dos protagonistas
Vítor Rodrigues, vencedor do 2º GP Portugal
“Ontem perdi a camisola amarela devido a um lapso meu. Hoje não estava disposto a sucedesse o mesmo. Hoje sabia que a etapa seria duríssima, mas tinha de recuperar a camisola amarela. Os meus colegas, os responsáveis técnicos e a família estiveram sempre ao meu lado, dando-me motivação. Dedico-lhes o triunfo”.
José Poeira, seleccionador nacional
“Lutámos muito para recuperar o primeiro lugar. Endurecemos a corrida para que o Vítor Rodrigues pudesse atacar no alto do Viso sem que os adversários conseguissem responder. No entanto, o forte vento que se fazia sentir depois desse prémio da montanha tornou muito dura a tarefa do Vítor. No ano passado vencemos esta corrida e, como é óbvio, não foi fácil repetir o êxito. Nas restantes provas da Taça das Nações tentaremos estar sempre na discussão dos primeiros lugares”.
Artur Lopes, presidente da União Velocipédica Portuguesa-Federação Portuguesa de Ciclismo
“Um triunfo é sempre um triunfo, mas tem ainda mais sabor quando acontece numa prova como estas, que é um evento em que a Federação muito aposta. Sou um dos grandes defensores deste tipo de corridas, por selecções, porque permite aos nossos melhores atletas trabalharem em conjunto, protegidos de todo o tipo de pressões e estimulando o espírito pátrio. O Vítor Rodrigues esteve inexcedível e merece os meus parabéns”.
Classificações
Classificações
Etapa: Felgueiras – Santa Quitéria, 139,2 km
1º Rein Taaramae (Centro Mundial de Ciclismo), 3h45m02s
2º Vítor Rodrigues (Portugal A), a 11s
3º Andrei Solomennikov (Rússia), a 35s
4º Gaspar Svab (Eslovénia), a 49s
5º Simon Geschke (Alemanha, a 52s
6º Anthony Roux (França), a 59s
7º Rasmus Guldhammer (Dinamarca), a 1m03s
8º Marcel Fischer (Alemanha), mt
9º Salvatore Mancuso (Itália), a 1m07s
10º Rafael Valls, a 1m09s
Geral Individual
1º Vítor Rodrigues (Portugal A), 10h28m04s
2º Anthony Roux (França), a 53s
3º Rein Taaramae (Centro Mundial de Ciclismo), a 1m15s
4º Andrei Solomennikov (Rússia), a 2m29s
4º Andrei Solomennikov (Rússia), a 2m29s
5º Gaspar Svab (Eslovénia), a 2m50s
6º Simon Geschke (Alemanha), a 2m52s
7º Marcel Fischer (Alemanha), a 2m53s
8º Salvatore Mancuso (Itália), a 3m11s
9º Rafael Valls (Espanha), a 3m15s
10º Jacques van Resnburg (Centro Mundial de Ciclismo), a 3m22s
Geral Colectiva
1º Rússia, a 31h33m23s
2º Centro Mundial de Ciclismo, a 2m51s
3º Alemanha, a 5m57s
8º Portugal A, a 25m03s
11º Portugal B, a 1h23m33s
Pontos
1º Rein Taaramae (Centro Mundial de Ciclismo), 53 pontos
2º Vítor Rodrigues (Portugal A), 47
3º Anthony Roux (França), 44
Montanha
1º Simon Geschke (Alemanha), 33 pontos
2º Jacques van Resnburg (Centro Mundial de Ciclismo), 24
3º Vítor Rodrigues (Portugal A), 24
Juventude
1º Rasmus Guldhammer (Dinamarca)
2º Egor Silin (Rússia)
3º Sergiu Sioban (Centro Mundial de Ciclismo)
Sem comentários:
Enviar um comentário