05/06/2008

MILHARES CONTRA A POLITICA DO GOVERNO


A manifestação contra as propostas do governo de revisão do Código do Trabalho juntou esta quinta-feira em Lisboa 200 mil pessoas (segundo a polícia) e cerca de 270 mil de acordo com a CGTP. Foi o maior protesto popular realizado em Portugal, pelo menos desde que José Sócrates é primeiro-ministro. O aumento do desemprego, da pobreza, da precariedade e das desigualdades sociais estiveram também no centro da contestação. E para dia 28 de Junho estão já marcadas manifestações para todas as regiões do país.


Enquanto Carvalho da Silva discursava nos Restauradores, com a avenida da liberdade repleta de manifestantes, ainda muitos milhares de pessoas se encontravam no Marquês de Pombal à espera do momento em que pudessem começar a desfilar. Segundo a CGTP, foram cerca de 270 mil os que vieram para a rua gritar contra as políticas anti-sociais do governo.
Manuel Guerreiro, da comissão executiva da CGTP, disse à agência Lusa que "em Aveiro e no Porto não puderam vir todos os trabalhadores que estavam inscritos porque já não havia autocarros disponíveis para alugar". "Muita gente quis vir aqui manifestar o seu protesto contra a proposta de revisão do Código do Trabalho e contra o agravamento das condições de vida, e isto não tem nada a ver com afinidades político-partidárias porque há muita gente que vota no Partido Socialista", salientou o sindicalista. A manifestação decorreu sob um duplo lema: "Não a esta revisão das leis laborais do sector privado e da Administração Pública, e Vida e Trabalho digno para todos". Em causa estão as propostas do governo para rever o Código do trabalho, que a CGTP considera que vêm facilitar os despedimentos, atacar os acordos colectivos de trabalho e legitimar a precariedade.
O ministro do Trabalho, reagindo à manifestação, afirmou que "não é a primeira vez que existe este tipo de manifestação e não será decerto a última" e acrescentou que o Governo ouve sempre todas as posições, "principalmente aquelas que se traduzem em propostas". Para dia 28, a CGTP avançou já com a convocatória de novas manifestações em todas as regiões do país. O anúncio foi feito pelo secretário-geral da CGTP. "Vamos encher as ruas de muitas cidades, porque não abdicamos de construir um futuro para Portugal", disse Carvalho da Silva, acrescentando que o Conselho Nacional da CGTP vai reunir-se dia 23 de Junho para decidir os contornos da acção.
O final da manifestação ficou marcado pelo abandono dos sindicalistas da tendência socialista, por ouvirem palavras de ordem a pedir a saída do governo. "A maioria dos dirigentes sindicais comunistas aproveitaram esta grande manifestação, que foi útil e necessária, para usar uma palavra de ordem ideológica que não foi aprovada pelos órgãos directivos da central", disse Carlos Trindade, que integra a Comissão Executiva da CGTP. O sindicalista reconheceu que é necessário "um contra-peso social para enfrentar a grave situação do País" e que a CGTP cumpre esse papel mas considerou "aventureiro" pedir a saída do Governo, tanto mais que a central sindical não aprovou isso.

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