10/06/2008

NÃO! NÃO TENTEM SEQUER EXPLICAR-ME QUE,MEIO PARVO COMO SOU,PROVAVELMENTE NÃO IA PERCEBER


Parte desta história já a conhecem, mas eu começo desde o princípio.No seguimento de uma - que não foi uma, foram pelo menos duas, o que não quer dizer que não tenham sido ainda mais – denúncia, a Polícia Judiciária, munida de um mandado de busca assinado por uma juíza de Lisboa, revistou e apreendeu seringas, uma máquina centrifugadora que serve para o controlo interno, da equipa, das taxas de hematócrito dos seus corredores (e todas as têm), mais os tais frasquinhos, frascos e frascões – aliás tenho a informação e não tenho porque duvidar dela, de que todas aquelas “pastilhas” mostradas em mais uma das habituais cenas montadas pela PJ, seja com armas, droga ou dinheiro falso para, com a conivência (e ignorância e falta se senso) das televisões, não passavam de Voltaren, ben-u-ron, outros analgésicos ou anti-inflamatórios que foram expostos fora das embalagens originais, impedindo a sua identificação -, apreendeu, escrevia, uma mão cheia de nada na sede, carros, camiões e residências de técnico, corredores e outros elementos da LA-MSS-Póvoa.Eu sei que foi nada! Aos que não podem ter tanta certeza deixo um desafio: porque é que a PJ não disse nunca o que tinha, exactamente apreendido? Em nada – antes pelo contrário – prejudicava esta investigação em particular, ou quaisquer outras que tenha preparado.Não disse o que apreendeu porque cairia no ridículo de admitir que em casa de Corredores com filhos pequenos encontraram caixas de aspirinas-sabor-a laranja.Avancemos...A ligeira brisa, que teria sido a visita da PJ às instalações daquela equipa, transformou-se em super-furacão que abalou de alto a baixo o Ciclismo português.Até porque os três principais suportes (financeiros) da equipa, poucas horas depois de as televisões terem garantido que havia sido apreendido material passível de ser proibido, se apressaram a saltar do barco, anunciando o corte imediato do patrocínio à equipa.O que nunca chegou a acontecer e que agora, já se sabe, não acontecerá.Permitam-me uma maldadezinha. Com todo o respeito. Principalmente, com todo o respeito pelo adepto anónimo que, sempre que pode, acorre à berma da estrada ajudando a dar colorido à grande festa que é o Ciclismo.Aqui vai a maldadezinha: fosse o povão capaz de interpretar aquele sair de fininho por parte dos patrocinadores e, aí sim, seria quase irreversível a perda de credibilidade da equipa. Vale-nos que o amor é cego e os amantes do Ciclismo querem é saber da festa e, embora fiquem tristes com os casos de que, de quando em vez vão aparecendo, não deixam de o amar.Lá me alarguei eu outra vez no intróito. Pronto, vou por uma asterisco no título que vos vai obrigar a ler tudo (maldadezinha!!!!).Vamos ao que interessa.Primeiro…ainda não sei quem denunciou a LA-MSS-Póvoa mas fiquem cientes que aquele ainda significa mesmo isso: hei-de saber;Segundo…Não foram só os patrocinadores que se precipitaram, a FPC fez o mesmo e reunindo o Conselho de Estrada conseguiu parir uma deliberação – ainda que travestida de… conselho – que convidava as organizações (estão representadas no CE pela PAD/JL Sports) a não convidarem a LA-MSS enquanto o caso não se esclarecesse. E tinham, bem à mão, um argumento de muito maior peso, indesmentível e incontornável. A LA-MSS-Póvoa NÃO podia correr mesmo porque ficou sem seguros já que a companhia Liberty Seguros – levada na mesma onda, que varreu tudo naquele dia – se apressou a denunciar o contrato que tinha com os poveiros. Contrato que, estou em condições de o avançar, não custava um cêntimo à formação da Póvoa, que, como contrapartida, fazia publicidade à seguradora. Ainda que esta seja o principal sponsor de uma das suas rivais na estrada.Sem seguro, a LA-MSS-Póvoa não podia mesmo correr.Primeiro tiro no pé por parte da FPC que fica indelevelmente marcada por ter aconselhado ao não convite da formação de Manuel Zeferino.Eu explico para os ainda mais parvos do que eu: Sem seguros, a equipa não podia, pura e simplesmente correr. E a FPC podia ter ficado de fora da polémica, mas não. Armados em espertos, reuniram o Conselho de Estrada para enquadrar a deliberação que já estava tomada e veio com a estória do aconselhamento ao não convite. Desnecessário.O drama, e leiam isto sob que prisma quiserem – para mim é igual ao litro – é que não há, na CS quem escreve sobre Ciclismo, quem saiba por que regulamentos este se rege. Há, eu sei que há, mas é melhor deixá-lo de fora desta embrulhada.Eu escrevi-o...Está regulamentado que as organizações são obrigadas a convidar todas as equipas Continentais portuguesas. Sigam o meu raciocínio: o Regulamento Geral e Técnico de Corridas da FPC está para o Ciclismo como a Constituição está para o País em geral. Nenhum decreto-Lei, ainda que assinado pelo Ministro e chancelado pelo presidente do Conselho de Ministros pode, jamais, contrariar qualquer artigo da Lei Geral do País que é a Constituição.Por muita vontade que o meu caro – ok, ok… já sei que ele vai dizer que mal me conhece – doutor Artur Moreira Lopes poderia pretender que um… conselho seu atropelasse os Regulamentos. Até porque está consagrado na Lei Geral deste País a possibilidade, inalienável, que qualquer entidade, instituição ou particular, pode recorrer deste tipo de “sentenças”.Falácia. Contra-informação. Inadvertida, obrigo-me a pensar.Mas, gente com responsabilidades, correndo o risco de aparecer um parvalhote qualquer a desmontar os seus esquemas – ok, retiro o esquemas e digo… ignorância – apressou-se a bradar que a LA-MSS-Póvoa não a iam convidar para as suas corridas.Porquê?Por causa do tal… conselho da FPC?Ok, vou terminar…Hoje, quero dizer - aí esta diferença de fusos horários entre o Caderno Madeira e o TMG – hoje que já é ontem, a FPC acusa a recepção da nova apólice de seguros enviada, como eu já tinha aqui escrito, pelo Manuel Zeferino e como – cito: «Não há nada, quer em termos judiciais, quer a nível desportivo que o impeça, a equipa não pode deixar de ser convidada.»Dúvidas? Vamos lá desfazê-las. A FPC, que… aconselhou as organizações a não convidarem a LA-MSS-Póvoa, reconheceu hoje (que já é ontem) que não tem, em termos jurídico-desportivos, forma de penalizar a equipa pelo que esta, regularizada a questão do seguro, re-aceitá-la autorizada a participar na única corrida que se disputa sob a égide directa da FPC (ainda que montada pela PAD), os Campeonatos Nacionais.Agora já não serei eu a dizer.Só deixo perguntas no ar…A FPC abre as portas à LA-MSS-Póvoa para que esta participe nos Campeonatos Nacionais. Com que direito é que pode manter o conselho para que as outras organizações não convidem a equipa? E estas? Que vão fazer?Carneiristicamente ficar-se pela ordem – perdão, pelo conselho – do presidente da FPC, principalmente se se é vice-presidente?Pode fazê-lo, mas o povo amante do Ciclismo não lho perdoará.E pode a PAD escolher deixar de fora uma equipa contra a qual nada de concreto pesa, isto quando ainda o ano passado o seu Director Técnico, o Joaquim Gomes, dizia que mantinha os convites às equipas espanholas – que correram a Volta – porque não pesava qualquer acusação legal sobre os seus corredores?Como é Joaquim? Não me desapontes, eu fui o primeiro a colocar a hipótese e quero ser o primeiro a assinar a lista de apoiantes teus para a Direcção da FPC. Neste momento, e porque acho que não será solução procurar alguém de fora da modalidade, eu defendo que és tú quem tem o melhor perfil para presidir à FPC.Ao doutor Artur Lopes todos – os da grande família que é a família do Ciclismo – temos mais para agradecer do que para criticar, mas o seu tempo acabou.Honestamente, não perdeu, esbanjou as possibilidades de poder vir a continuar.E aqui apanhei-vos outra vez em falso. É que o doutor Artur Moreira Lopes, à luz da lei vigente, não vai poder candidatar-se mais..Só posso falar por mim, mas jamais esquecerei tudo o que de bom – e foi mesmo muito – fez pelo Ciclismo português. Mas entenda que já não pode fazer mais nada. Não perca a oportunidade de sair pela porta da frente.


do Blog Velo Luso

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