16/08/2008

FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE CICLISMO I



7 DE JUNHO DE 2003


JORNAL DIARIO DO MINHO
Até breve, Grande Prémio do Minho
Federação em silêncio, perante morte anunciada do ciclismo


Etapa marcante do ciclismo profissional do Minho e do País, O Grande Prémio do Minho, cuja primeira edição remonta ao ano de 1977, não vai este ano para a estrada.
Deixaremos de ver o serpentear de um pelotão rico de cores vivas por entre o entrelaçado de bonitas paisagens da região.
Apesar do comunicado emitido pela Associação de Ciclismo do Minho, referir a “ conjuntura económica” esta, é a confirmação daquilo que os mais atentos à modalidade já anteviam, depois de a PAD- Produções de Actividades Desportivas, ter dado o dito por não dito, e não organizar o Grande Prémio. Já não seria novidade pelo facto de não terem realizado as Volta ao Algarve e a Volta ao Alentejo.
Como dizia Armindo Duarte Vice-presidente da Associação de Ciclismo do Minho, “ não podemos esperar mais tempo e como tal não estão reunidas as condições para que o Premio do Minho se concretize”
Quem fica a perder no meio de tudo isto são os clubes, os ciclistas e mais grave, a credibilidade da modalidade, junto dos potenciais patrocinadores.
Como pode haver quem invista na modalidade, clubes, ciclistas, associações, e principalmente aqueles, que dão aquilo com que se compram melões, se da parte da estrutura federativa apenas se houve um “ lamentamos “!...
Não foi a Federação Portuguesa de Ciclismo e o seu presidente Dr. Artur Moreira Lopes, quem retirou a concessão das organizações de provas à Sport Noticias e a deu de bandeja a uma PAD falida?
Aliás o Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, em resposta a uma minha solicitação, sobre o estado em que a PAD deixou muitas organizações, nomeadamente a da Volta ao Algarve, Volta ao Alentejo, Volta ao Minho, GNR-Brigada de Transito, e da queixa da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, solicitada no passado dia 27 de Fevereiro, apenas respondeu um mês depois, e com um lacónico texto onde se referia à queixa dos ciclistas que alegadamente já estaria “resolvida” e que a questão das provas seria um “assunto entre essas entidades e a PAD”.
Sintomática, da forma como é gerida a modalidade em Portugal. A Federação Portuguesa de Ciclismo, não pretendia entrar em cena a defender a modalidade….deixa isso para terceiros.
E o mais curioso no meio disto tudo, é que aquando da concessão da Sport Notícias, as queixas na UCI sobre “ anomalias” eram mais que muitas, contrapondo com a actual situação, em que uma entidade promoveu a seu belo prazer provas que já sabia que não as iria realizar.
Como fica a modalidade quando as provas como, o Grande Premio JN, Grande Premio Sport Noticias, Grande Premio do Minho, Premio Philips e muitas outras que já não se realizam?
Como reagem os clubes, associações e ciclistas perante este lavar de mãos como Pilatos?
O que faz a Federação Portuguesa de Ciclismo à dotação dada pelo Instituto do Desporto?
Que poder detém a Federação Portuguesa de Ciclismo, quando nem consegue negociar as verbas do totoloto, a exemplo de outras modalidades, para resolver a questão do policiamento nos escalões de formação? Vai a reboque das associações? Mas será que não é a esta entidade que cabe gerir a prática da modalidade?
Que faz ou fez a Federação Portuguesa de Ciclismo, perante as falhas já conhecidas? Não houve direitos e deveres nessa concessão? A Federação, apenas está preocupada com as “suas” organizações, demonstrando não ter iniciativa nem capacidade organizativa, para organizar os Campeonatos Nacionais!
Importantes questões que deveriam ser respondidas, por quem tem obrigação, ou seja pela Federação Portuguesa de Ciclismo, mas para que isso acontecesse, era sinal de que algo tinha mudado na estrutura, e mentalidade federativa. Até lá e como diz Serafim Ferreira “ muita água vai correr sob as pontes e o ciclismo, infelizmente, continuará a sua derrocada inexorável até que alguém ponha cobro a tantos desmandos e incompetência. " Valha-nos a “ carolice” de muitos amantes da modalidade, entre os quais destaco o Prof. José Santos, e a disponibilidade das equipas em prescindir de muitas verbas, depauperando a sua já pequena receita, para que os seus ciclistas tenham actividade e o povo anónimo continue a ver ciclismo.
Até lá, como povo de brandos costumes, continuaremos a aceitar que tudo passe impunemente sem que ninguém com responsabilidades deite mão a isto!...há já me esquecia que estão preocupados com o Euro 2004. Espero como contribuinte, que não despertem depois da “ morte” anunciada do ciclismo.


PALAVRAS PARA QUÊ ?


tEM A PALAVRA O COVEIRO MOR

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