04/08/2008

MÉDICOS DO MUNDO CONTRA A DISCRIMINAÇÃO DOS CIGANOS


Os "actos de discriminação" de que são alvo a população cigana entraram num novo patamar por toda a Europa, "perante a indiferença dos cidadãos e dos governos europeus", denuncia em comunicado a Associação Médicos do Mundo. No centro das críticas está o governo italiano que prossegue a sua política de identificação sistemática e expulsão dos ciganos, mas os restantes países europeus também têm culpas no cartório.
A Associação Médicos do Mundo denuncia as medidas de que está a ser alvo a comunidade de cerca de 140 mil pessoas de etnia cigana que vivem em Itália. Este procedimento foi instaurado pelo ministro de Assuntos Europeus do Governo Berlusconi, Andrea Ronchi, uma figura de proa do movimento populista e xenófobo Aliança Nacional. "Apenas com justificação na origem étnica, este tipo de censo não deve ser tolerado pela comunidade internacional e foi recentemente condenado pelo Parlamento Europeu", considera a associação.
A Médicos do Mundo denuncia também a cumplicidade da Cruz Vermelha italiana que, sob cobertura da prestação de cuidados sanitários, está auxiliar na contagem do número de pessoas ciganas que vivem na cidade de Roma. "A discriminação que está a ter lugar em Itália, e noutros países europeus, não pode continuar sem ser denunciada. A história ensinou-nos que a indiferença e o silêncio podem alimentar os piores abusos" , defendem. Recentemente, o jornal francês Le Monde revelou que estão a aumentar as operações de desmantelamento de acampamentos ciganos em França. Até ao final deste mês serão evacuados mais de 600 ciganos de um acampamento em Saint-Ouen, mas apenas cerca de uma centena terão oportinidade de obter alojamento numa "vila de reinserção". Aos restantes resta a expulsão para a Bulgária e Roménia. E para evitar o seu regresso ao abrigo da ajuda humanitária, o governo francês já está a ultimar um decreto que impõe uma ficha biométrica, em que pode haver recolha de saliva, e que na verdade já está a ser aplicado. A Associação SOS Racismo corrobora a opinião dos Médicos do Mundos e alerta para o facto de Portugal não estar imune a estas críticas. José Falcão denuncia as políticas discriminatórias da responsabilidade dos governos, das câmaras municipais e da polícia. O estatuto dos mediadores socio-culturais que nunca foi aprovado, a mão pesada da Justiça quando se trata de julgar ciganos, ou a política de habitação que atira estas comunidades para guetos sem condições, são algumas das críticas. Um exemplo flagrante foi a actuação recente da GNR no Alentejo, que obrigava as comunidades ciganas a assinarem um documento em que se responsabilizavam por tudo o que acontecesse durante os casamentos e baptizados ciganos, e no qual garantiam que não frequentariam os bares e restaurantes da zona.
A Médicos do Mundo e a organização Romeurope pedem à presidência francesa da União Europeia que manifeste a sua oposição às práticas discriminatórias e estabeleça uma verdadeira política de integração das populações ciganas em território europeu.

1 comentário:

rouxinol de Bernardim disse...

Toda a discriminação é degradante.
Há actos praticados por alguns elementos de certos grupos que são criticáveis. Daí a generalizar a todos os elementos desse grupo vai uma grande distância...

Quem diz ciganos diz negros, gordos, lavradores, pescadores, professores, juizes...