26/01/2009

Participação do FC Porto posta em causa


As polémicas continuam na Carlsberg Cup e, depois das dúvidas quanto à interpretação da expressão "goal-average", é agora o conceito de jogador "efectivo" que está sob escrutínio e que, no limite, afastará o FC Porto das meias-finais. Em causa está o artigo 11 do Regulamento da Taça da Liga, que diz que "os clubes são obrigados a fazer participar nas suas equipas em cada jogo pelo menos 5 jogadores que tenham sido incluídos na ficha técnica como efectivos em um dos dois últimos jogos oficiais da época em curso, salvo caso de força maior, comunicado à LPFP com a antecedência mínima de 5 dias antes da realização do respectivo jogo e, desde que, os motivos invocados sejam considerados pela LPFP como justificativos". No jogo com o Setúbal, da primeira jornada da terceira fase da Taça da Liga, o FC Porto só utilizou um jogador (Pedro Emanuel) que tinha sido titular num dos dois jogos anteriores (Marítimo e Nacional da Madeira). Questionada sobre o eventual incumprimento do FC Porto, a Liga remeteu para o comunicado 55/07-08, de 24 de Setembro de 2007, em que esclarece a "obrigatoriedade de utilização de jogadores", onde no ponto 2 escreve: "Por 'efectivamente utilizados' entendem-se os jogadores que fizeram parte da formação inicial ou foram suplentes utilizados". Contactado pela Lusa, o FC Porto não quis comentar, tendo remetido para o comunicado da Liga, que nunca foi revogado, e considerou que não cometeu qualquer irregularidade. Pedro Emanuel, Benitez, Guarin, Mariano e Farías são os cinco jogadores que defrontaram o Setúbal e que cumprem o critério do "efectivamente utilizado" do comunicado 55/97-08. Entendimento diferente tem o professor de Direito do Desporto José Manuel Meirim, que defende que a equipa portista corre o risco de ser afastada da prova, na qual jogará com o Sporting as meias-finais, a 4 de Fevereiro. José Manuel Meirim não tem dúvidas sobre o incumprimento por parte do FC Porto, considerando ser "evidente" que jogadores efectivos são os onze que integram a equipa inicial, e suplentes os restantes jogadores no banco de suplentes". Para isso, diz Meirim, basta analisar os artigos 18 e 26 do regulamento das competições, que fazem distinção clara entre efectivos e suplentes. Na opinião de José Manuel Meirim, poderá estar-se também perante um acto negligente da Liga de Clubes pois, sendo público que o FC Porto iria utilizar um equipa "secundária", nenhum órgão deste organismo tomou qualquer iniciativa disciplinar, como impõe o regulamento disciplinar (artigo 4). Outra questão que levanta dúvidas a Meirim é o facto do resultado do jogo estar homologado ou não: o artigo 16 disciplinar refere que apenas 30 dias depois da data do jogo é reconhecido tacitamente o resultado. A partida com o Setúbal realizou-se a 08 de Janeiro, mas o sorteio aconteceu esta terça-feira, facto que pode tornar homologado o resultado. Neste caso, um eventual clube prevaricador seria apenas sancionado com multa. Como a Carlsberg Cup, como refere o respectivo sítio oficial de Internet, é considerado uma prova a eliminar e, caso seja provado que o FC Porto incorreu em incumprimento regulamentar, a sanção aplicada seria de eliminação e multa de 2.500 a 10.000 euros. "Caso seja considerada prova a eliminar ou por pontos, o FC Porto estaria sempre fora das meias-finais. Tudo aponta para esse resultado", disse José Manuel Meirim.

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