15/05/2009

João Cabreira lamenta não ter sido inocentado mais cedo



Por Jornal Ciclismo em Sexta-feira, 15 Maio, 2009 22:10


AS DERROTAS DE LUIS HORTA COMEÇAM A FAZER-SE SENTIR...


João Cabreira manifestou-se satisfeito pela posição de princípio que tomou no início dos dois casos disciplinares de que foi alvo por interposição do CNAD junto da Federação Portuguesa de Ciclismo serem reconhecida como certa, lamentando, após a deliberação do Conselho Jurisdicional da Federação Portuguesa de Ciclismo “não ter sido inocentado mais cedo”.
Em conferência de imprensa em Paredes, o campeão nacional de fundo lamentou ter “arcar com consequências para o resto da vida” além de prejuízos que causaram danos de credibilidade irrecuperáveis à sua vida desportiva e social relembrando, a título de exemplo, o dano causado à sua imagem pública de agente político enquanto antigo candidato à presidência da Junta de Freguesia de onde é natural – Aguçadoura – nas passadas eleições autárquicas.“Mais vale tarde do nunca”, confessou.
Após duas deliberações do CJ da FPC nos últimos seis meses a seu favor – o último datado de sete de Maio – Cabreira afirmou ter nada a temer caso se verifique o recurso da decisão daquele órgão independente para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD). Tal procedimento, a efectuar-se , poderá revogar a decisão tomada pelo CJ, ainda que o seu recurso seja, no caso, permitido às entidades responsáveis pelo controlos anti-dopagem, no caso, a Agência Mundial Anti-dopagem, que, de acordo, com Luís Horta, director do Laboratório Anti-Dopagem “está a acompanhar o caso. Que está longe de estar terminado”, disse recentemente na imprensa.
“Não temos nada a temer.
A nossa tranquilidade é total”, referiu o ciclista que, este ano, corre pelo CC Loulé-Louletano-Aquashow.


O campeão nacional de fundo lamentou ainda o seu caso ter sido debatido numa comissão parlamentar na Assembleia da República que envolveu o Secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias e Luís Horta. “Não disseram o meu nome, mas a carapuça serviu”, referiu Cabreira que criticou a alegoria de ter sido a imagem do ciclista batoteiro perante os deputados.
Na sequência do caso que motivou a sua primeira sanção disciplinar – a alegada fuga a um controlo surpresa no País Basco efectuado a 26 de Julho de 2008 - a advogada do corredor precisou já ter efectuado uma queixa -crime perante o DIAP de Lisboa visando os inspectores médicos controladores e ao presidente do IDP (Luís Sardinha) por “denúncia caluniosa”. “Foi uma condenação social antes de ser ver se era culpado ou não”, disse.
A advogada de Cabreira, Marina Albino, frisou a vitória nos dois processos ter sido conseguida de forma substantiva e não meramente derivada de questões processuais. No caso da primeira sanção disciplinar Marina Albino afirmou que Cabreira cumpriu “todas as informações de localização” – o caso refere a ausência a um controlo fora de competição não efectuado no País Basco pela morada corresponder a um prédio devoluto – e colocou em causa o mandato do CNAD na missão de controlo ao corredor fora do território nacional. “O CNAD tem a obrigação moral de actuar de acordo com os regulamentos”, referiu.
Por sua vez, quanto ao objecto do segundo processo disciplinar instaurado e que dava conta de manipulação de urina com a presença de uma protease, enzima que serviria para mascarar produtos dopantes na amostra, Marina Albino frisou o entendimento do CJ da FPC. “[A protease] não está suficientemente estudada. Não está provada a sua eficácia na manipulação da amostra”. “Não consta da lista de substâncias proibidas ou de métodos proibidos pela AMA”. ”Existe de forma endógena e não houve prova de o atleta ter administrado externamente esta substância”, reforçou.
Por outro lado, a jurista questionou o método de recolha das amostras de urina no controlo que deu origem ao segundo processo e a conservação das mesmas, acrescentando haver duas actas referentes à mesma recolha e que apresentam temperaturas de conservação inicial distintas. “Uma primeira acta diz que foi conservada à temperatura ambiente, depois aparece outra a dizer que foi refrigerada. Ora o processo requer que a amostra seja refrigerada de imediato. A urina levou mais de 10 horas a chegar a Lisboa e outros tantos dias a ser enviada para Madrid e mais outros tantos dias até chegar a Colónia”, afirmou.
Sobre o facto de Cabreira não usar a camisola de campeão nacional – o ciclista terá manifestado essa intenção na primeira etapa do GP Paredes mas tal não foi permitido pelo Colégio de Comissários - , a jurista explicou que tal se deve ao inquérito do caso LA-MSS no Conselho de Disciplina que impede a homologação dos resultados da corrida disputada em Junho de 2008 em Rebordosa. “Já passou um ano e o Cabreira não pode vestir a camisola de campeão nacional. O regulamento do Conselho de Disciplina refere um prazo máximo de 60 dias. A Justiça Desportiva tem sido lenta”.
Sobre este caso, Cabreira referiu que o seu actual clube não tem sido notificado das decisões tomadas, desconhecendo quando pode contar com os serviços do ciclista em competição. “Esse procedimento devia ser mudado e a equipa informada das decisões que me dizem respeito”.
Paulo Couto, presidente da APCP, justificou a sua presença na conferência de imprensa por “solidaridade” diante de um dos seus associados, resumindo este caso como um meio de contribuição para a melhoria dos regulamentos e para a defesa de um ciclismo limpo, ideia recuperada pela causídica que disse estar-se perante um “caso de estudo” em matéria de ciclismo, dopagem e direito.

CANDIDATO DO PARTIDO SOCIALISTA


No proximo sábado, pelas 21 horas no Novotel Vermar vai ser a apresentação do candidato do Partido Socialista, Dr. Renato Matos como candidato à Camara Municipal da Póvoa de Varzim; Todos os Poveiros que desejam a mudança devem comparecer em força.
FORÇA RENATO

05/05/2009

Artigo demolidor de CLARA FERREIRA ALVES - revista ÚNICA do Expresso


Artigo demolidor de CLARA FERREIRA ALVES - revista ÚNICA do Expresso



Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos. Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura)
desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades. Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos. A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada. Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado. Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve. Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços deenigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar averdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura. E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade. Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?. Vale e Azevedo pagou por todos? Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida? Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático? Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico? Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana? Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal? Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios eenrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma. No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?
As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância. E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou? E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu? Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu. E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê? E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha. E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca. Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade. Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças , de protecções e lavagens , de corporações e famílias , de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade. Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

Clara Ferreira Alves - "Expresso"