Quanto ganham os boys do PS?
" RETIRADO DO "DEMOCRACIA EM PORTUGAL"No dia 23 de Julho passado, o Governo anunciou mais uma nomeação para uma empresa pública: trata-se de Ana Tomaz, 35 anos, administradora da Estradas de Portugal, com um salário anual bruto de 151.200 euros, mais carro de serviço, combustível e telemóvel. Na véspera da sua nomeação, esta engenheira civil sem qualquer experiência de gestão era adjunta do secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, no Governo.
Este é só um dos exemplos de figuras próximas do PS colocadas pelo Governo em institutos públicos, fundações, entidades reguladoras ou empresas do Estado, mesmo durante a crise. A SÁBADO foi ver onde estão, quanto ganham, que regalias têm e qual o seu currículo na área.
Os cortes agora anunciados nos salários da função pública afectarão algumas destas remunerações, até um máximo de 10% (o escalonamento ainda não foi anunciado), com excepção da Galp e da Cimpor, que são empresas privadas com capitais públicos minoritários, onde estão Fernando Gomes e António Castro Guerra, e da FLAD, que é uma fundação de direito privado, onde foi colocada Maria de Lurdes Rodrigues.
ADMINISTRADOR DA ANACOM
FILIPE BAPTISTA
198.772
Durante os últimos anos, foi o único membro do Governo com gabinete na residência oficial do primeiro-ministro e teve sempre assento no Conselho de Ministros. Fazia parte da equipa restrita que preparava os debates de Sócrates no Parlamento. Antes, na oposição, nunca deixou de ter influência junto de José Sócrates: era uma das quatro pessoas que ajudavam o actual líder do PS a preparar os frente-a-frente com Santana Lopes na RTP.
O que lhe sobra em experiência política falta-lhe em currículo na área das comunicações - para a qual foi nomeado. O seu currículo oficial praticamente só tem referências a cargos no sector público e a uma experiência como professor de Direito. O próprio defende: Não acredito que para alguém de boa fé eu tenha passado a incapacitado pelo facto de ter pertencido com muita honra e orgulho - ao XVII Governo Constitucional.
ADMINISTRADORA DA ESTRADAS DE PORTUGAL
ANA TOMAZ
151.200
Ana Tomar foi nomeada para a administração da Estradas de Portugal (EP) no dia 23 de Julho deste ano, já depois do aumento de impostos anunciado no PEC 11 e pouco antes das novas medidas de austeridade previstas no orçamento. A nomeação causou enorme surpresa na EP, quase constrangimento, porque Ana Tomaz não tem experiência de gestão e não é normal uma antiga técnica passar assim para o Conselho de Administração , admite uma fonte do próprio Ministério das Obras Públicas.
Em Setembro de 2008, foi ainda nomeada para administradora da Fundação para as Comunicações Móveis (FCM), gestora dos programas e.escola, que incluem os contratos e encomendas dos computadores Magalhães. Mas na primeira reunião demitiu-se.
No Conselho de Administração da FCM está agora Daniel Adrião, ex-jornalista, também ele membro do gabinete de Paulo Campos. Adrião explica assim o seu percurso até lá: Fui jornalista 10 anos. No Semanário e depois como colaborador da Visão. Fiz assessoria de comunicação em vários sítios. Em 2006 surgiu o convite para trabalhar com o secretário de Estado Paulo Campos e foi em função do meu trabalho no gabinete que fui para a FCM. Adrião, que iniciou a militância política na JS (chegou a candidatar-se a líder), foi alguns anos responsável pela organização do Carnaval de Alcobaça e candidato à câmara local pelo PS. Na FCM, garante que não tem vencimento receberá apenas senhas de presença, de 100 euros cada. Jorge Costa. deputado do PSD que esteve na comissão parlamentar que investigou a FCM, põe em causa a ausência de regalias: O anterior presidente do Conselho de Administração reconheceu à comissão que houve pagamentos aos administradores. A SÁBADO tentou voltara falar com Adrião para confirmara informação, mas o militante do PS não atendeu o telefone nem respondeu a mensagens.
O gabinete de Paulo Campos limitou-se a explicar à SÁBADO que as nomeações se baseiam no escrupuloso cumprimento da lei e recaem na escolha de pessoas com o perfil mais adequado para cada cargo.
PRESIDENTE E ADMINISTRADOR DA NAV
AUGUSTO JOSÉ PEREIRA LUÍS
109.531
CARLOS BEJA
99.710
Na mesma empresa está ainda Carlos Beja, 6i anos, formado em Direito, um ex-deputado do PS (1995- 1999) de segunda linha, discreto, mais conhecido em São Bento pela boa disposição do que pela intervenção política. Profissionalmente, passou pela Sociedade Grande Hotel do Luso e pela companhia de seguros Sagres. Hoje, recebe 6.750 euros por mês, mais carro com motorista, combustível (3.129 euros em 2009), telefone (881 euros) e despesas de representação (1.200 euros), num total anual de 99.710.
PRESIDENTE DO TURISMO DE PORTUGAL
LUÍS PATRÃO
83.170
Até 2009, Patrão acumulou o salário do Turismo com o de membro do Conselho Geral e de Supervisão da TAP, onde, segundo dados de 2008, recebeu 7 mil euros mensais. Este salário tinha uma componente fixa, de 4 mil euros, a que acrescia uma parcela complementar de 3 mil euros por ser membro da comissão de sustentabilidade e governo societário. Em 2008, a comissão realizou 10 reuniões. Só a revelação pública desta acumulação de funções nos jornais o levou a abdicar em 2009 do ordenado na TAP, mantendo o do Turismo de Portugal.
COMITÉ DE ESTRATÉGIA DOS CTT
LUÍS NAZARÉ
49.000
ADMINISTRADOR DA ERSE
ASCENSO SIMÕES
188.839
Licenciado em Ciências Empresariais, foi vereador da Câmara de Vila Real e presidente da distrital do PS entre 2000 e 2004. A sua distrital apoiou a candidatura interna de José Sócrates. A ligação à energia ocupa menos espaço no seu currículo: foi administrador de duas pequeníssimas empresas, a Luzfisa (Caldas da Rainha) e a Tecaprod (Vila Real) como exemplo, a primeira teve em 2009 proveitos de 49 mil euros. Ascenso ganha hoje, na ERSE, 13.488 euros por mês. Foi acusado, quando tomou posse, de não ter distanciamento para poder ser independente do Governo, o que uma entidade reguladora exige. O próprio contesta: O melhor remédio para qualquer suspeição é o exercício cabal das funções no respeito pela ética republicana e pela lei.
CHAIRMAN DA CIMPOR
ANTÓNIO CASTRO GUERRA
285.384
Ex-secretário de Estado da Economia, está como presidente da Cimpor por indicação Caixa Geral de Depósitos, que tem 9,6% da empresa. Castro Guerra é professor de Economia no ISEG e foi presidente do IAPMEI no governo de António Guterres. Esteve no IPIPE Investimentos e Participações. Passou ainda pela Brisa e pelo Taguspark. A Cimpor recusou divulgar o valor da sua remuneração, só admitindo fazê-lo no fim do ano, no Relatório e Contas, como a lei obriga. Mas, em 2009, o antecessor de Castro Guerra, Bayão Horta, recebeu 285.384 euros anuais, cerca de 20 mil euros por mês.
PRESIDENTE DA FLAD
MARIA DE LURDES RODRIGUES
Não revela
CONSELHO FISCAL DA CAIXA SEGUROS
MÁRIO LINO
26.821
VALOR GANHO PELO SEU ANTECESSOR
ADMINISTRADOR DA GALP
FERNANDO GOMES
529.000
PRESIDENTE E ADMINISTRADORA DA ANA
GUILHERMINO RODRIGUES
184.877
ALDA BORGES COELHO
109.486
Na ANA, não é a única administradora sem carreira na área dos aeroportos. António Guilhermino Rodrigues é militante socialista, amigo de Jorge Coelho, passou pela Carris, pelo Metro de Lisboa e foi secretário de Estado dos Transportes entre 1996 e 200i, nos Governos de António Guterres. Mas nunca trabalhou no sector da aviação. Até 2005. Quando o PS chegou ao poder, Guilhermino chegou a presidente da ANA. Hoje é ainda presidente da ANAM (aeroportos da Madeira), presidente não executivo da NAER (novo aeroporto) e administrador da ADA (administração de aeroportos). Na ANA, recebe salário, carro e telemóvel. Na ANAM, tem cartão de crédito (253 euros) e subsídio de deslocação (633 euros em 2009).
ADMINISTRADOR DA REN
FERNANDO ROCHA ANDRADE
48.000
Rocha Andrade foi subsecretário de Estado da Administração Interna (2005-2007) e militou activamente na IS durante a liderança de Sérgio Sousa Pinto, onde também se tomou próximo de Marcos Perestrello, actual secretário de Estado da Defesa. Não tem currículo na área da energia, mas encontra uma justificação para ocupar o cargo que tem: Na comissão de auditoria alguns conhecimentos de finanças públicas [cadeira de que é assistente] são úteis.
De resto, não vê que a sua militância no PS tenha ajudado à nomeação. Não partilho da opinião de que quem desempenhou cargos políticos seja incompetente, anormal ou sujeito a especiais medidas de segurança. Acho que ninguém fica diminuído por ter desempenhado essas funções. Se o primeiro-ministro entende que uma pessoa tem capacidades para integrar o governo é porque não fará mau juízo dela. É normal que também não faça mau juízo dela para outras funções.
PROFESSOR NA COLUMBIA UNIVERSITY
MANUEL PINHO
Não revela
ADMINISTRADOR DOS ENVC
JOSÉ LUÍS SERRA
Quando José Luís Serra, de 43 anos, surgiu como hipótese para a administração dos Estaleiros Navais de Viana de Castelo (ENVC), em Maio, foi um outro socialista, Defensor Moura, a dizer-se seriamente preocupado , já que não lhe era conhecida qualquer experiência no sector da grande indústria naval . Defensor Moura, ex-presidente da Câmara de Viana do Castelo e deputado, dirigiu mesmo um requerimento ao ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, que tem a tutela da empresa (detida a 100% pelo Estado), em que se lia: Especialmente neste período tão complexo da empresa e do País, não me parece conveniente afundar ainda mais o prestígio dos ENVC nem, por outro lado, sujeitar desnecessariamente a tutela e o Governo à acusação de nomear mais um boy para um cargo de tanta responsabilidade. Serra foi presidente da Câmara de Valença de 2002 a 2009. Perdeu a autarquia em 2009 para o PSD. Não tem qualquer experiência profissional na área. Recusou, apesar de inúmeras insistências, revelar o seu ordenado.
ALEXANDRE ROSA
79.140
As ligações dos boys
Podem ser nomeados por José Sócrates ou vir do aparelho ou da Juventude Socialista. Veja quem são e quanto ganham
Filipe Baptista
Administrador da Anacom
198.772 euros anuais
Carro sem motorista
António Castro Guerra
Presidente do Conselho de Administração da Cimpor
285.384 euros valor ganho pelo antecessor
Não disponibilizado
Luís Nazaré
Presidente do Comité de Estratégia dos CTT
49.000 euros anuais
Acesso a um telefone
Luís Patrão
Presidente do Turismo de Portugal e membro do conselho geral da TAP
83.170 euros anuais no Turismo de Portugal. Até Maio de 2009 acumulou com mais 98.000 euros anuais na TAP
No Turismo de Portugal tem direito a telemóvel, carro de serviço com motorista, despesas de representação e de refeição
Maria de Lurdes Rodrigues
Presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento
Não disponibilizado
Não disponibilizado
Manuel Pinho
Professor convidado da Universidade de Columbia
Não disponibilizado
Não disponibilirado
Ascenso Simões
Administrador da ERSE
188.839 euros anuais
Tem carro de serviço, mas não tem motorista atribuído
Daniel Adrião
Administração da Fundação para as Comunicações Moveis
Cargo não remunerado
Senhas de presença de 100 euros cada
Ana Tomaz
Administradora da Estradas de Portugal
151.200 euros anuais
Carro de serviço, combustível e telemóvel
Alda Borges Coelho
Administradora da ANA e da ANAM
109.485 euros anuais
Despesas de deslocação, remuneração variável, carro e telemóvel
Augusto José Pereira Luis
Presidente da NAV
109.531 euros por ano
Cairo com motorista, combustível, telefones e despesas de representação
António Guilhermino Radrigues
Presidente da ANA, da ANAM e da NAER e administrador da ADA
184.887 euros anuais (ANA), nas Outras não recebe
Cartão de crédito, subsídio de deslocação e remuneração variável
Fernando Gomes
Administrador da Galp
529 mil euros anuais
Prémios, PPR, subsídios de renda de casa e deslocação
Fernando Rocha Andrade
Administrador não executivo da REN e vogal da Comissão de Auditoria
48 mil euros anuais em 2009
Não tem regalias
José Luís Serra
Membro do Conselho de Administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo
Não disponibilizado
Não disponibilizado
Carlos Beja
Administrador da Nav
99.710 euros anuais
Telefone, combustível, carro com motorista e despesas de representação
Alexandre Rosa
Vice-presidente do IEFP
79.140 euro
Despesas de representação, carro com motorista e telefone








































